Sob nova direção, o Flamengo apresentou nesta quinta-feira o treinador Leonardo Jardim. O português foi anunciado na noite de quarta e já comandou dois treinos no Ninho do Urubu, pensando na final do Campeonato Carioca, contra o Fluminense, neste domingo. Antes de estrear em um jogo valendo título, o profissional de 51 anos exaltou o desafio que terá pela frente.
— Me honra bastante treinar um clube com a dimensão do Flamengo. Um grande prestígio, espero estar à altura para honrar essa camisa. Vou propor aquilo que sempre propus na minha vida. Cumprir os objetivos do clube. Ganhar e trazer troféus, e apresentar um futebol que agrade aos nossos torcedores — disse Jardim.
Na entrevista coletiva, o português tentou acalmar os torcedores receosos de uma ruptura muito radical entre o modelo de jogo colocado em prática por Filipe Luís — e compatível com o gosto da torcida — e o seu:
— Algumas das ideias do Filipe vão continuar. O jogo tem muitas nuances. Há momentos que temos que jogar em transição, em outros temos que ter a posse. Temos que jogar mais baixo, em outros momentos marcar mais alto… As melhores equipes do mundo têm que ter variabilidade. Se formos só de posse e o adversário nos pressionar nós vamos ter dificuldade. Não queremos fugir do DNA desse grupo. Temos que jogar um futebol de acordo com nossos jogadores.
Ao se destacar no Cruzeiro, no ano passado, Jardim chegou a dizer que não treinaria outro time no futebol brasileiro. Ele disse que foi “ingênuo”:
— O que me fez mudar de ideia? Essas palavras foram sentidas porque me sentia muito bem em Belo Horizonte. A vida nos cria algumas surpresas. Tive problemas de ordem familiar e na parte pessoal, que eu tinha que resolver. Existia, dentro da estrutura, algumas ideias diferentes daquilo que eu acreditava. Fui emotivo porque acreditava que o projeto ia ser a longo prazo. Fui ingênuo, a emoção nos leva a dar declarações infelizes. No Flamengo, vou começar um novo capítulo.
Boto se pronuncia
Antes de Jardim começar a falar com a imprensa, o diretor José Boto se pronunciou sobre a demissão de Filipe Luís, anunciado na madrugada da última terça. O português falou em “decisões difíceis” que precisam ser tomadas.
— Fiz o diagnóstico, dei a solução e o presidente aceitou. Como “decisor” máximo, (Bap) bateu o martelo, como vocês dizem. Razões são sempre muitas, dependendo do contexto. Eu acho que isso é profissionalismo. Profissionalismo também é tomar decisões difíceis e que, às vezes, parecem lógicas. Posto isto, nada retira aquilo que o Filipe fez aqui e a brilhante carreira que vai ter como trabalhador, que eu já disse várias vezes. A solução está aqui. O Leonardo, um trabalhador muito experiente, com vivências, em diferentes contextos, com muitas conquistas, com uma carreira em que foi de baixo até o topo, com mais de 20 anos. É alguém que nós pensamos que pode tirar o máximo do melhor elenco das Américas. E isso não sou eu que digo, são vocês também.
Source link



