Carlo Ancelotti afirmou, em entrevista exclusiva à Reuters, que a decisão sobre a presença de Neymar na lista final da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 será tomada exclusivamente com base no desempenho do atacante em campo. O treinador italiano reconheceu a importância do camisa 10, mas reforçou que não sofre qualquer tipo de pressão para convocá-lo.
— Quando você tem que escolher, precisa levar muitas coisas em consideração. Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre demonstrou. Ele teve alguns problemas, e está trabalhando forte para se recuperar. Ele melhorou muito recentemente e está jogando regularmente. Obviamente, para mim não é uma decisão fácil para mim. Temos que ponderar bem os prós e os contras, mas isso não me coloca pressão. Faz um ano que estamos avaliando não só Neymar, mas todos os jogadores” — disse Ancelotti a Kallas, colunista de Esportes do GLOBO.
Maior artilheiro da história da seleção brasileira, Neymar tenta recuperar sequência e condicionamento físico após anos marcados por lesões. O atacante voltou ao Santos em janeiro do ano passado depois de uma passagem apagada pelo Al Hilal, da Arábia Saudita.
Segundo Ancelotti, o carinho dos companheiros de seleção pelo atacante é um fator considerado, mas não decisivo.
— Sei perfeitamente que Neymar é muito querido, não só pelo público, mas também pelos jogadores. Esse também é um fator, porque temos que levar em consideração o clima que envolverá a convocação do Neymar. Não é como se eu fosse jogar uma bomba no vestiário. Ele é muito querido, muito amado — afirmou.
O treinador também disse que as manifestações públicas de apoio ao camisa 10 não interferem em sua decisão final.
— Acho normal que os jogadores expressem sua opinião. Sou grato a todos que me deram conselhos, agradeço a todos vocês. Mas, no fim das contas, a pessoa certa para tomar essa decisão, a mais indicada para fazê-lo, sou eu.
Ao explicar o impacto dessas declarações, Ancelotti destacou apenas a garantia de que Neymar não causaria problemas internos no elenco.
— Isso influencia o ponto que acabei de mencionar: saber que se eu trouxer o Neymar para este grupo, o grupo ficará bem porque ele é muito querido por todos — disse.
Para o treinador, o ambiente interno da seleção seguirá equilibrado independentemente da presença do atacante na Copa.
— O ambiente interno, não creio que afetará a equipe em nada. O ambiente é muito positivo, muito tranquilo, e não importa qual jogador esteja no elenco, permanecerá positivo e tranquilo até o fim. Mas não posso controlar o ambiente externo e o que a mídia diz. O ambiente interno está sob controle e assim permanecerá até o fim, com ou sem Neymar.
Ancelotti também afirmou que Neymar apresentou evolução física nas últimas partidas e explicou que avalia se o atacante consegue se encaixar no modelo de jogo baseado em intensidade e pressão sem bola.
— Ele melhorou muito sua forma física nas últimas partidas. Ele tem jogado algumas partidas muito boas ultimamente. Seu condicionamento físico melhorou. Ele consegue manter uma alta intensidade durante uma partida. Mas há jogos e jogos — afirmou.
Por fim, o técnico reiterou que terá autonomia total para definir a convocação.
— Estou tranquilo porque sei perfeitamente que a decisão é minha. Não fui pressionado por ninguém para chamar o Neymar. Tenho total autonomia. A decisão será 100% profissional. Levarei em consideração apenas o seu desempenho como jogador de futebol. Nada mais.
Ancelotti anunciará a lista final da seleção brasileira na próxima segunda-feira. Questionado se o Brasil deveria esperar alguma surpresa, respondeu em tom descontraído:



