A Sapucaí viveu na segunda-feira uma daquelas noites para ficar na memória. O desfile da Viradouro em homenagem a Mestre Ciça injetou uma dose de emoção na Avenida que mexeu com o coração de todos os sambistas. Ciça foi merecidamente ovacionado pela Sapucaí em dois momentos que criaram novas imagens para a história do carnaval: a sensível comissão de frente e o impactante último carro, que trazia a bateria. Um passeio pela história do carnaval que provocou êxtase na Passarela, num desfile coroado por um visual encantador, uma escola feliz e o casal Rute e Julinho em grande fase. E o que é o carnaval senão a busca por esse arrepio?
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Outra apresentação encantadora foi a da Beija-Flor, que veio forte na briga pelo bicampeonato com um desfile deslumbrante sobre o Bembé do Mercado. O trabalho do carnavalesco João Vítor Araújo teve nível altíssimo nos três quesitos que defende: alegorias, fantasias e enredo. Carros como o pede-passagem e “Arte preta de terreiro” deixaram o público boquiaberto.
Talvez por esse impacto o samba não tenha se mantido ao longo do desfile com a pressão que exibiu nos primeiros minutos. Mas não deixa de ser um dos melhores do ano, valorizado pela bateria e pela interpretação dos estreantes Jéssica e Ninno.
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A Mocidade abriu muito bem a segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com sua homenagem à cantora Rita Lee. O samba foi muito cantado pelos componentes, como é de hábito em Padre Miguel. A impactante cabeça da escola, com o abre-alas psicodélico, e o setor da prisão de Rita durante a ditadura, foram os destaques visuais, enquanto o tripé dos animais pareceu destoar do restante do enredo.
Algumas fantasias traziam leituras criativas, como “Ovelha negra” e a bateria vestida de Eros. O puxador Igor Vianna fez uma boa estreia como intérprete oficial de sua escola do coração, no melhor desfile da Mocidade desde a homenagem a Elza Soares, em 2020.
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Já a Unidos da Tijuca enfrentou a difícil missão de desfilar depois do vendaval Unidos do Viradouro – e essa é sempre uma posição ingrata. O excelente samba-enredo e a segura bateria de Mestre Casagrande foram os grandes trunfos da escola. O visual pesado, apostando nas cores escuras a maior parte do tempo, dificultou a tarefa da escola de levantar o público no fim da noite de segunda-feira.
O casal Matheus e Lucinha mostrou entrosamento nas apresentações. O enredo se mostrou um acerto, consagrando Carolina Maria de Jesus no maior palco brasileiro.
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