Alison dos Santos é 1º brasileiro recordista mundial em atletismo de pista desde João do Pulo em 1975; veja lista


Alison dos Santos colocou o Brasil novamente no livro de recordes mundiais do atletismo nesta quinta-feira. O Piu venceu os 400 metros com barreiras da etapa de Zurique da Diamond League em 45s80 e derrubou uma das marcas mais fortes do esporte: os 45s94 com que o norueguês Karsten Warholm havia conquistado o ouro olímpico em Tóquio, em 2021. Warholm também esteve na prova e terminou em segundo, com 46s69.

O feito encerra um intervalo de quase 51 anos sem que um brasileiro estabelecesse um recorde mundial em provas de pista e campo. O último havia sido João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, em 15 de outubro de 1975. Naquele dia, também em uma competição internacional de enorme peso, o brasileiro saltou 17,89m no triplo durante os Jogos Pan-Americanos da Cidade do México. Desde então, o país havia conquistado títulos olímpicos e mundiais no atletismo, mas nenhuma nova melhor marca do planeta em uma prova disputada dentro do estádio.

A marca também representa um salto extraordinário na carreira do próprio Alison. Antes desta quinta-feira, seu recorde pessoal era de 46s29, obtido no título mundial de Eugene, em 2022. Agora, baixou 49 centésimos de uma vez e tornou-se o primeiro homem da história a correr os 400m com barreiras abaixo de 45s90. Aos 26 anos, Piu já havia sido campeão mundial em 2022, vice em 2025 e conquistado bronzes nas Olimpíadas de Tóquio e Paris. Em 2026, chegou a Zurique depois de fazer 46s43 quatro dias antes, na Silésia, então a melhor marca da temporada.

João do Pulo também produziu em 1975 um recorde que parecia pertencer a outra dimensão. O 17,89m da Cidade do México melhorou em 45 centímetros a marca mundial anterior, de 17,44m, e permaneceu no topo por quase dez anos, até o americano Willie Banks atingir 17,97m em 1985. João ainda conquistaria duas medalhas olímpicas de bronze, em Montreal-1976 e Moscou-1980, mas o salto do Pan permaneceu como a última ocasião em que um brasileiro saiu de uma prova de pista e campo como dono de um recorde mundial absoluto.

Antes dele, essa história brasileira havia sido construída sobretudo por Adhemar Ferreira da Silva. Bicampeão olímpico do salto triplo, Adhemar teve cinco recordes mundiais ratificados entre 1950 e 1955. Começou com 16m em São Paulo, igualando a melhor marca existente, avançou para 16,01m no Maracanã em 1951 e, na final olímpica de Helsinque-1952, melhorou o recorde duas vezes na mesma competição, para 16,12m e depois 16,22m. Em 1955, novamente na altitude da Cidade do México, chegou a 16,56m.

Entre Adhemar e João do Pulo houve ainda um dos recordes mundiais mais breves da história olímpica. Na final do salto triplo dos Jogos da Cidade do México, em 1968, Nelson Prudêncio chegou a 17,27m na quinta tentativa e tornou-se recordista mundial. A condição durou cerca de cinco minutos: o soviético Viktor Saneyev saltou mais longe logo depois. Prudêncio ficou com a prata, mas entrou definitivamente na curta relação de brasileiros que já tiveram a melhor marca mundial do atletismo.

Há uma particularidade que torna o feito de Alison ainda mais inédito. Todos os recordes brasileiros anteriores em provas de pista e campo haviam saído do salto triplo, com Adhemar, Prudêncio e João do Pulo. Piu é, portanto, o primeiro brasileiro a estabelecer um recorde mundial absoluto em uma corrida disputada na pista. E fez isso justamente nos 400m com barreiras, prova que viveu nos últimos anos uma revolução de marcas protagonizada por ele, Warholm e o americano Rai Benjamin.

O intervalo entre João do Pulo e Alison precisa, porém, de uma ressalva. O Brasil teve outro recordista mundial nesse período, mas nas ruas. Em 1998, Ronaldo da Costa venceu a Maratona de Berlim em 2h06min05s, derrubou o recorde mundial e tornou-se o primeiro homem a completar os 42,195km abaixo de 2h07. Assim, Alison é o primeiro brasileiro a quebrar um recorde mundial absoluto do atletismo desde Ronaldo, há 28 anos, e o primeiro em pista e campo desde João do Pulo, em 1975.

Os recordes mundiais do Brasil no atletismo

  • 1950 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,00m no salto triplo, São Paulo
  • 1951 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,01m no salto triplo, Rio de Janeiro
  • 1952 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,12m no salto triplo, Helsinque
  • 1952 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,22m no salto triplo, Helsinque
  • 1955 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,56m no salto triplo, Cidade do México
  • 1968 — Nelson Prudêncio: 17,27m no salto triplo, Cidade do México
  • 1975 — João Carlos de Oliveira: 17,89m no salto triplo, Cidade do México
  • 1998 — Ronaldo da Costa: 2h06min05s na maratona, Berlim
  • 2026 — Alison dos Santos: 45s80 nos 400m com barreiras, Zurique



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