Aliança de Arruda com PRD pode selar saída de Morro da Cruz, abrir espaço para Rogério Ulysses e atrair Carlos Antônio

A aliança firmada entre o ex-governador José Roberto Arruda e o Partido Renovação Democrática (PRD), oficializada na noite de ontem durante a confraternização da legenda, não apenas reposicionou o partido no tabuleiro eleitoral do Distrito Federal, como também expôs um imbróglio interno que envolve diretamente os deputados Rogério Morro da Cruz e Rogério Ulysses.

Sob o comando de Lucas Kontoyanis, o PRD selou apoio unânime ao projeto político de Arruda, em um gesto claro de alinhamento estratégico. No entanto, a ausência do deputado distrital Rogério Morro da Cruz e de integrantes de seu gabinete chamou atenção. Nos bastidores, o gesto foi interpretado como um sinal inequívoco de distanciamento — ou até mesmo de despedida.

O clima de tensão se intensifica diante da disputa silenciosa entre Morro da Cruz e Rogério Ulysses, pré-candidato a deputado distrital que vem ganhando força dentro da federação PRD/Solidariedade. A permanência de Morro da Cruz no partido sempre foi vista como um entrave para o avanço de Ulysses, que busca espaço político e viabilidade eleitoral sem a sombra de um mandato consolidado.

Com a possível saída de Morro da Cruz — cada vez mais alinhado ao grupo governista do GDF — o cenário muda drasticamente. A vaga política deixada por ele pode significar, na prática, a filiação definitiva de Rogério Ulysses ao Solidariedade, partido que aposta em seu potencial eleitoral. Estimativas internas indicam que Ulysses pode alcançar entre 13 mil e 15 mil votos, tornando-se um dos nomes mais competitivos da legenda.

A disputa também reverbera entre pré-candidatos. Em São Sebastião, o pré-candidato Carlos Antônio, o Carlão Reclamão, foi direto ao afirmar que só ingressa no PRD caso haja um rompimento definitivo com Rogério Morro da Cruz — sinal claro de que a presença do deputado se tornou um fator de desgaste interno.

O episódio deixa evidente que a aliança com Arruda não apenas reorganiza o PRD externamente, mas acelera um processo de depuração interna. A saída de Morro da Cruz pode não ser apenas um movimento individual, mas o gatilho para uma nova configuração partidária, com Rogério Ulysses emergindo como beneficiário direto desse rearranjo político.

Nos próximos meses, a definição desses movimentos deve impactar diretamente as nominatas, alianças e o equilíbrio de forças dentro da federação, consolidando vencedores e isolando aqueles que insistirem em permanecer “em cima do muro”.

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