Alex Zanardi, bicampeão da Indy, ex-piloto de Fórmula 1 e campeão paralímpico, morre aos 59 anos


Alex Zanardi, o ex -piloto de Fórmula 1 que perdeu as duas pernas em um acidente de corrida e posteriormente conquistou medalhas de ouro paralímpicas, morreu aos 59 anos, informou sua família neste sábado. O italiano, que conquistou dois títulos na Indy (antiga CART) com a Ganassi e correu na Fórmula 1 por Jordan, Minardi, Lotus e Williams, convivia nos últimos anos com as sequelas do gravíssimo acidente sofrido em 2020, durante uma competição de handbike.

“É com profunda tristeza que a família anuncia o falecimento de Alessandro Zanardi, ocorrido repentinamente ontem à noite, 1º de maio”, disse a família em um comunicado. “Alex faleceu em paz, cercado pelo amor de sua família e amigos. A família gostaria de expressar seus sinceros agradecimentos a todos que estão demonstrando apoio neste momento e pede que seu luto e privacidade sejam respeitados durante este período de pesar.”

O comunicado diz ainda que “os detalhes do funeral serão anunciados no momento apropriado”. Zanardi, nascido em Bolonha em 23 de outubro de 1966, deixa esposa, Daniela, e filho, Niccolò.

Zanardi apareceu para o mundo do automobilismo em 1991, quando foi vice-campeão da F3000, perdendo para Christian Fittipaldi. Foi ainda no fim daquele ano que o italiano chegou ao grid da Fórmula 1, realizando três corridas com a Jordan. Nas temporadas seguintes, passou sem brilho por Minardi e Lotus até rumar para a Indy.

Foi nos Estados Unios que Alex se encontrou e virou uma estrela. Em três anos de Ganassi, foi campeão em 1997 e 1998, conseguindo voltar à F-1 em 1999 pela Williams. Mas, novamente sem sucesso.

Em 2001, o piloto reapareceu na Indy com a Mo Nunn e, na etapa da Alemanha, em Lausitzring, sofreu um acidente que mudou os rumos de sua vida. Após fazer um pit-stop, o então líder da prova perdeu o controle na saída do pit-lane, rodou e foi acertado em cheio pelo carro de Alex Tagliani. O impacto da batida foi fortíssimo, e Alessandro perdeu as duas pernas.

Depois da longa batalha pela vida — chegou a ser reanimado sete vezes a caminho do hospital —, Zanardi conseguiu se recuperar e decidiu seguir caminho totalmente diferente, mas ainda dentro do esporte. E passou a se dedicar ao ciclismo adaptado. Ele reencontrou o sucesso ao disputar os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e conquistar três medalhas, sendo duas de ouro e uma de prata. Quatro anos depois, nos Jogos no Rio de Janeiro, repetiu o feito, chegando a seis na carreira.

Alex se viu novamente na batalha pela vida quando, em 2020, sofreu um gravíssimo acidente durante competição com uma handbike na cidade de Pienza, na Itália. Ele se chocou contra um caminhão e sofreu múltiplos traumas, sendo removido do local de helicóptero. Teve de realizar inúmeras neurocirurgias, além de reconstrução facial, até receber alta após mais de um ano de internação.

Stefano Domenicali, presidente da F-1, declarou em comunicado:

“Estou profundamente triste com o falecimento do meu querido amigo Alex Zanardi. Ele foi verdadeiramente uma pessoa inspiradora, como ser humano e como atleta. Guardarei para sempre comigo a sua extraordinária força. Ele enfrentou desafios que teriam parado qualquer um, mas continuou a olhar para a frente, sempre com um sorriso e uma determinação obstinada que nos inspirou a todos. Embora sua perda seja profundamente sentida, seu legado permanece forte.”

A FIA, órgão mundial do automobilismo, prestou homenagem ao italiano, publicando na redes sociais: “A FIA lamenta profundamente o falecimento de Alex Zanardi, ex-piloto de Fórmula 1 e bicampeão da CART, cuja trajetória, desde o acidente que mudou sua vida até a conquista da medalha de ouro paralímpica, o tornou um dos competidores mais admirados do esporte e um símbolo duradouro de coragem e determinação.”

Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, saudou Zanardi como “um grande campeão e um homem extraordinário, capaz de transformar cada provação da vida em uma lição de coragem, força e dignidade”.

Cordiano Dagnoni, presidente da Federação Italiana de Ciclismo, afirmou que ele “transformou a cultura do nosso país, trazendo alegria e felicidade àqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo e esperança a tantos na Itália e em todo o mundo”.



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