Baixada Fluminense
É na região que estão o terceiro e o quarto maiores colégios eleitorais do estado: Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Com a segurança pública liderando as reivindicações dos moradores, a Baixada é uma território de contrastes socioeconômicos. Possui forte polo industrial, com destaque para a Reduc e as empresas de produtos de beleza, higiene e limpeza, além do comércio.
Capital
A cidade do Rio, maior colégio eleitoral, atrai todos os anos milhares de visitantes, um reflexo de suas belezas naturais, vida cultural e forte potencial turístico. É um polo de negócios e serviços, mas que ainda convive com contrastes sociais. A segurança pública e a retomada de territórios ocupados por facções criminosas são o grande desafio.
Niterói e São Gonçalo
São Gonçalo é hoje o segundo maior colégio eleitoral do estado. A cidade, que reúne comércio e confecções, enfrenta o crescimento da violência e a ocupação de territórios pelo crime organizado. Já Niterói, com sua indústria naval, serviços e polo educacional, tem na mobilidade urbana e no transporte alguns dos maiores desafios.
Lagos
O Turismo é uma de suas potencialidades e a área de serviços outra vocação da região, beneficiada por um dos mais belos litorais do país. Mas há muitas demandas para o novo governo, como ampliação da rede de saúde regional e a longa espera para exames médicos gratuitos. O transporte intermunicipal é caro e coleciona reclamações.
Norte e Noroeste
Rica e promissora por conta da indústria do petróleo e de seus royalties, a região vive fortes contrastes. O Noroeste pede mais empregos, enquanto o Norte, que tem em Campos dos Goytacazes o maior colégio eleitoral do interior, enfrenta desafios como combate à violência, déficit habitacional e maiores investimentos nas áreas de saúde e educação.
Serrana
Cartão postal do estado, possui o turismo como uma das principais atividades econômicas, seguido pela produção rural, as confecções e o setor de serviços. Mas a região enfrenta problemas crônicos de infraestrutura, potencializados por sucessivas tragédias naturais. Transporte público, ruim e rede de saúde limitada também são problemas.
Sul Fluminense
A região, que tem Volta Redonda como o principal polo econômico e político, pede mais atenção à preservação do meio ambiente. A mobilidade nas cidades é motivo de reclamação dos moradores, assim como a segurança pública. O Sul é hoje o maior polo automotivo do estado, com forte atração para investimentos na indústria e geração de empregos.
Artigo: Os personagens de uma eleição polarizada
Mayra Goulart coordena o grupo de pesquisa
Leo Martins/Agência O GLOBO
Mayra Goulart, professora do Departamento de Ciência Política da UFRJ e coordenadora do Lappcom
A campanha de 2026 teve poucas oscilações, porque os eleitores já estavam divididos em dois grupos. Essa não é uma característica particular da conjuntura fluminense, mas ela pode oferecer saídas para esta configuração. O primeiro grupo se organiza em torno da transformação da sociedade pela inclusão de grupos marginalizados econômica ou socialmente: pobres, negros, mulheres e a população LGBTQIAP+. O segundo se organiza em torno da preservação das estruturas tradicionais que ordenam a sociedade a partir dessa marginalização. Lula e Jair Bolsonaro, representado agora pelo filho Flávio, personificam essas ideias. O Rio de Janeiro, contudo, tem outros personagens, que dificultam o rebatimento imediato dessa configuração e podem representar saídas para ela, como mostram os Guias do Lappcom/UFRJ, que chegam aos leitores do EXTRA pelo Tamo Junto.
O primeiro desses personagens é o sistema de Justiça. Sem a decisão do TSE que tornou o ex-governador do Rio Cláudio Castro inelegível e sem o pedido de vista do ministro Flávio Dino no STF, a Alerj teria escolhido o governador em eleição indireta, e o eleito seria provavelmente o presidente da Assembleia, Douglas Ruas (PL), que chegaria a outubro candidato ao Palácio Guanabara com a máquina estadual.
Com o desembargador Ricardo Couto no governo interino, a estrutura do estado deixou de estar disponível para articular apoios entre prefeitos e vereadores. As investigações sobre os deputados estaduais TH Joias e Rodrigo Bacellar trouxeram a público indícios de proximidade entre a base do governo Castro e o crime organizado, e o campo que se apresenta como solução para a segurança pública passou a ser associado ao problema, o que pode reduzir, no estado e no país, a vantagem de Flávio diante da obtida por Jair Bolsonaro em 2022.
O segundo é Eduardo Paes (PSD), candidato de fora da esquerda que rejeita o bolsonarismo. Aliado de Lula, ele alcança também parte do eleitorado bolsonarista mostrando que a polarização pode ser atravessada por uma coalizão ampla.
O terceiro é Anthony Garotinho, nome competitivo fora dos dois polos, que recusa os termos dessa oposição ao combinar um forte discurso de inclusão econômica com a defesa de valores tradicionais. Sua força é drenada pela incerteza sobre o registro de candidatura, indeferido pelo TRE-RJ e em recurso. O caso mostra que a Justiça também filtra a oferta de candidatos, pela Ficha Limpa e pela impugnação de candidaturas com indícios de vínculo com o crime organizado.
Há ainda as famílias políticas com suas máquinas locais. Os dados do Lappcom mostram que sete em cada dez eleitos pelo PL em 2024 tinham trajetória em outras legendas: o bolsonarismo cresceu no estado cooptando elites locais que controlam o território, e as emendas parlamentares reforçam esses vínculos. A polarização nacional chega ao Rio mediada por esses grupos, e as urnas dirão se algum desses personagens oferece uma saída para ela.
PROJETO TAMO JUNTO: É uma parceria do EXTRA com o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em que jornalistas e pesquisadores focalizam o processo eleitoral deste ano em sete regiões do Estado do Rio de Janeiro, abordando problemas, apontando soluções e apresentando propostas dos planos de governo dos principais candidatos.
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