O jogo, que marcou o início da Série C do campeonato carioca de 2026, aconteceu na manhã deste domingo, 3, no Estádio Mourão Filho, o famoso estádio da Rua Bariri, em Olaria.
Com gols dos camisa 10 e 9 — Pedrinho Lelis e Wendy Gonçalves, respectivamente — aos 27 e 29 minutos da primeira etapa, o Originários — embora usando as cores e a camisa do Ceres, que não pretendia disputar o campeonato — marcou a história do futebol brasileiro.
O primeiro gol, de Pedrinho, foi marcado numa batida de falta na entrada da grande área, caindo na gaveta esquerda. Já o gol de Wendy, que copiou o estilo de Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo de 2002, foi um verdadeiro “chute” de cabeça. Confira os gols:
No Instagram, o perfil do Ceres comemorou a vitória: “Hoje não foi um dia comum. Hoje foi um marco histórico”, diz a postagem.
“Somos o primeiro clube do país, com um elenco 100% indígena, a disputar uma competição profissional no Rio de Janeiro, na Série C. Isso não é apenas futebol. Isso é identidade, resistência e representatividade”, termina o post.
O clube nasceu este ano com um propósito: o de abrir as portas do futebol para indígenas e transmitir o orgulho de um povo geralmente marginalizado. Tupã Nunes é o cacique de cerca de 300 indígenas Guarani Mbya que vivem em Maricá. Mas, como presidente do Originários, ele agora comanda jogadores de pelo menos outras 14 etnias diferentes, vindos de todos os cantos do Brasil. Na equipe, tem gente de aldeia Xekriabá, tem também Potyguara, Pataxó, Guarani, Tupinikim, Kamaiurá, Guarani Nhandeva, Terena, Shanewana e por aí vai.



