A missão Artemis II, da Nasa, alcançou a maior distância já atingida por humanos no espaço na tarde desta segunda-feira, por volta das 14h58 (horário de Brasília). A tripulação superou o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970, que havia chegado a cerca de 400 mil km da Terra. O feito representa um momento-chave no retorno dos Estados Unidos ao satélite natural do nosso planeta.
Após iniciar os protocolos de sua fase final, os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion ingressaram na esfera gravitacional lunar na madrugada desta segunda-feira. Agora, a missão deve alcançar aproximadamente 407 mil km de distância da Terra.
Ao atingir o recorde histórico, o astronauta Reid Wiseman, comandando da Artemis II, falou sobre esse marco:
— Estamos honrando os feitos de quem veio antes e indo ainda mais longe no espaço antes de voltar para a Terra.
O ponto máximo da trajetória ocorrerá durante o sobrevoo do lado oculto da Lua, a aproximadamente 4.000 milhas da superfície, quando o satélite bloqueará temporariamente as comunicações com a Terra. Nesse período, a tripulação ficará em completa escuridão. A interrupção está prevista para a noite desta segunda-feira, por volta de 19h47 no horário de Brasília.
A perda de contato é considerada um dos momentos mais delicados da viagem e será acompanhada com tensão pelas equipes em terra. Durante esse intervalo, a comunicação constante com Houston, no Texas, principal elo com o planeta, será suspensa.
O piloto da missão, Victor Glover, afirmou que a tripulação pretende aproveitar o momento de isolamento. Segundo ele, os astronautas planejam usar o período para reflexão, com orações e pensamentos positivos, enquanto aguardam o restabelecimento do contato.
— Quando estivermos atrás da Lua, sem contato com ninguém, vamos aproveitar isso como uma oportunidade — disse. Vamos rezar, ter esperança, enviar bons pensamentos e sentimentos para que possamos restabelecer o contato com a tripulação.
O lado ‘claro’ da Lua
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A situação remete a um desafio histórico das missões Apollo. Na Apollo 11, o astronauta Michael Collins permaneceu no módulo de comando enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam na superfície lunar. Durante a passagem pelo lado oculto, ele ficou sem comunicação por 48 minutos e descreveu a experiência como estar “verdadeiramente sozinho” e “isolado de qualquer forma de vida conhecida”, embora também tenha relatado tranquilidade.
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Na Terra, o período de silêncio será acompanhado com expectativa. A estação de Goonhilly, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, terá papel importante ao captar sinais da cápsula Orion, determinar sua posição e enviar dados à NASA. O diretor de tecnologia da instalação, Matt Cosby, afirmou que a equipe ficará apreensiva durante a perda de sinal, mas destacou que o retorno da comunicação indicará que todos estão seguros:
— Esta é a primeira vez que estamos rastreando uma espaçonave com humanos a bordo — afirmou. — Vamos ficar um pouco nervosos quando ela passar por trás da Lua, e depois ficaremos muito empolgados quando a virmos novamente, porque saberemos que todos estão seguros.
Ele também ressaltou que a limitação na comunicação ainda é um desafio para futuras missões, especialmente para uma presença humana sustentável na Lua, que exigirá cobertura contínua, inclusive no lado oculto. A Agência Espacial Europeia desenvolve o programa Moonlight, que prevê uma rede de satélites ao redor da Lua para garantir comunicação permanente.
— Para uma presença sustentável na Lua, você precisa de comunicação completa, precisa de 24 horas por dia, mesmo no lado oculto, porque esse lado também deverá ser explorado — afirmou.
Com duração estimada de 10 dias, a Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa Artemis, iniciativa que pretende levar astronautas novamente à superfície lunar até 2028 e estabelecer uma presença contínua como preparação para futuras missões a Marte.
O sobrevoo lunar, previsto para começar na tarde desta segunda-feira e durar cerca de seis horas, permitirá aos astronautas capturar imagens detalhadas da Lua e da Terra, incluindo um raro registro do planeta surgindo no horizonte lunar.
A missão é acompanhada por uma equipe de cientistas no Centro Espacial Johnson, que analisa os dados e observações coletados durante esta etapa crítica do voo.
‘Não se esqueçam de apreciar a vista’
Os astronautas começaram seu dia histórico com uma mensagem do falecido Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13 e gravou a mensagem pouco antes de sua morte.
— Um dia histórico, e eu sei o quanto vocês estarão ocupados, mas não se esqueçam de apreciar a vista — ouviram os astronautas de Lovell.
Falecido aos 97 anos, o capitão conseguiu salvar a missão Apollo 13 depois de uma explosão a caminho da Lua; o americano chegou até mesmo a ser imortalizado em um filme de Tom Hanks: “Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo”.
— Bem-vindos à minha antiga vizinhança — disse ele e concluiu: — Tenho orgulho de passar esse bastão para vocês enquanto orbitam a Lua.
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Artemis II: Missão quebra recorde histórico de distância da Terra, até então da missão Apollo 13



