A advogada argentina Agostina Páez, que foi detida e é investigada no Brasil por ter feitos gestos racistas para funcionários de um bar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, falou à imprensa argentina sobre o caso, depois de voltar ao seu país. Na Argentina, o caso também vem sendo acompanhado pela mídia local, que chegou a tratá-lo como “escândalo sem fim”.
“Eu os vi agarrando as partes íntimas. Não tive a dimensão do que estava fazendo; não foi por causa da cor da pele deles. Vi alguém agarrando as partes íntimas e foi isso que eu fiz”, respondeu ela, em entrevista a um podcast do canal Olga.
Agostina também contou que não acreditou inicialmente que estava sendo intimada a responder pelos seus atos e entrou em crise, mas reconheceu que sua responsabilização não foi injusta.
“Eu me castigo muito por isso, não acho que seja injusto, é a lei. Peço desculpas. Mas acho injusto que me desejem a morte e que eu seja estuprada; isso realmente me afeta”, afirmou ela, sobre mensagens que recebeu depois da repercussão do caso em ambos os países.
Ela ficou cerca de dois meses com tornozeleira eletrônica e pagou uma fiança de R$ 97.260, além de declarar o seu endereço no país vizinho para a justiça brasileira, antes de voltar a Buenos Aires, há uma semana. Ela teve o habeas corpus concedido e responderá pelas acusações no seu país.
“Quando recebi a notificação de que precisava ir à delegacia, achei que fosse mentira: dizia que eu tinha que comparecer por injúria racial. Quando cheguei, me disseram que eu não podia sair do país, que precisava usar uma tornozeleira eletrônica e me mostraram o vídeo. Foi aí que parei para pensar e não consegui acreditar. Fiquei em choque; não sabia o que fazer. Não tinha me dado conta da magnitude do gesto: total ignorância da minha parte sobre racismo. Depois, comecei a pesquisar o contexto histórico do Brasil.”
Depois da sua volta à Argentina, o pai da advogada, o empresário Mariano Páez também apareceu fazendo gestos parecidos com o da filha, imitando um macaco em um bar de Buenos Aires. Sobre a repercussão do novo episódio, ela afirmou que só pode responder pelos seus atos e que não acredita que ele fez isso por discriminação, sem explicar qual motivo justificaria o gesto.
“Eu queria morrer. Não sabia o que fazer. Pensei: ‘Não é possível que eu tenha acabado de chegar em casa, esteja com amigos, e meu pai saia e faça isso, sabendo o quão difícil isso foi, o quanto isso poderia complicar as coisas para mim.’ Na minha família, eu me sinto como a mãe do meu pai. Não sei por que ele fez isso. Eu estava com tanta raiva, com tanta vergonha. Me senti péssima. Embora meu pai tenha me apoiado durante esse processo, ele costuma fazer as coisas de um jeito com o qual eu discordo completamente”, defendeu-se, completando sobre o assunto: “Na verdade, não acredito que meu pai tenha feito isso com a intenção de discriminar. Não sei por que ele fez isso, gostaria de entender”.
A defesa de Agostina, representada pela advogada Carla Junqueira, chegou a admitir que o comportamento de Mariano pode influenciar no julgamento da filha. Agostina também debateu no programa sobre como o racismo deveria ser mais discutido no seu país:
““Há uma invisibilidade aqui em relação ao racismo: nós, argentinos, o tornamos invisível, mas ele existe. Quando isso foi discutido? Nunca, e agora está sendo discutido, o que é fantástico”.
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Advogada argentina investigada por racismo se defende para imprensa local: 'Não foi pela cor da pele'



