Quem diria que uma outra Anita, não a cantora, fosse parar na boca do povo? Trata-se de Anita Harley, maior acionista das Casas Pernambucanas, conhecidas em todo o Brasil. Até então fora do radar do grande público, a bilionária ganhou status de celebridade com o lançamento da série “O testamento”, no Globoplay.
Em coma há dez anos, desde um AVC sofrido em São Paulo, ela está no centro de uma briga por herança que reúne personagens, no mínimo, curiosos. É barraco do tipo que não deixa nada a dever a roteiro de novela.
Disputa por patrimônio é problema exclusivo de gente rica, mas o enredo fisga qualquer um: mistura dinheiro, relações nebulosas e versões conflitantes, ingredientes irresistíveis até para quem não consegue imaginar o tamanho dessa fortuna.
No meio da confusão está Cristine, secretária e braço direito de Anita por anos, que afirma ter recebido uma procuração para administrar seus bens em caso de incapacidade, o que de fato ocorreu em 2016. Surge, então, uma peça-chave: Sônia, a Suzuki. Apontada por alguns como dama de companhia, ela diz ter sido, na verdade, companheira afetiva da empresária e vivia com ela em sua mansão. Como se não bastasse, entra em cena Artur, filho biológico de Suzuki, que também reivindica um vínculo socioafetivo com Anita. Complicado? Ainda tem mais.
Quando Suzuki consegue na Justiça o reconhecimento da união estável, o caso ganha novos contornos. Soma-se a isso a presença do advogado Daniel Silvestri, figura que chama atenção não só pelo discurso, mas pela forma como se apresenta. De maneira inesperada, ele passa a ocupar papel central na disputa. Ir além disso é dar muito spoiler.
Com cinco episódios, a produção figura entre as mais vistas do Globoplay e tem direção de Camila Appel, que divide o roteiro com Ricardo Calil e Iuri Barcelos. Mais do que reconstituir os fatos, a série entende onde está sua força: nos personagens e nas contradições desse enredo improvável.
Reservada por anos à elite, Anita, que administrava os negócios de um hotel cinco estrelas e depois de uma mansão de 96 cômodos, virou assunto em rodas de conversa, como se sua vida fosse um bom novelão. E, quando a vida real resolve agir como folhetim, nem a ficção dá conta de competir.
Gabriela Germano é editora-assistente e atua na área de cultura e entretenimento desde 2002. É pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Uerj e graduada pela Unesp. Sugestões de temas e opiniões são bem-vindas. Instagram: @gabigermano E-mail: gabriela.germano@extra.inf.br
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Barraco de rico dos bons: série 'O testamento', sobre herdeira das Pernambucanas, é um programão



