Maricá vira destino seguro de famílias com pessoas autistas

Quando a artesã Andréa Brandão foi fazer uma visita ao filho mais velho em Maricá, em 2022, não podia imaginar o tamanho do problema — e da solução — que a aguardavam. Durante a visita, seu filho mais novo, Daniel, de 14 anos, que sofre de epilepsia e é uma pessoa autista nível 3, teve uma crise muito grave e precisou ser internado. A mãe atípica ficou desesperada, mas uma assistente social atenta à situação do menino sugeriu que a família, que morava em Campo Grande, na Zona Oeste, se mudasse para Maricá, onde encontraria uma rede de apoio mais robusta.
Andréa Brandão e o filho Daniel encontraram qualidade de vida em Maricá
Arquivo pessoal
— Já tinha tentado muitos tratamentos para o meu filho na capital e não encontrava nada, nada, só filas de espera, então corri para me mudar — conta.
Desde a mudança, há 3 anos, ela viu o filho ter um progresso inimaginável. Com o tratamento adequado, Daniel passou a demonstrar uma imensa aptidão para a pintura.
Andréa não é um caso isolado. Maricá vem se destacando por sua rede de atendimento público de qualidade para pessoas dentro do espectro autista. Nesta quinta-feira, 2 de abril, que marca o Dia Mundial e Nacional de Conscientização sobre o Autismo, a cidade mostra que, com equipamentos como a Casa do Autista, o Centro de Reabilitação, o Serviço de Atendimento e Reabilitação Especial (Sarem) e o Centro de Atenção Integral à Família (Caif), se consolida como um destino para quem busca tratamento.
Ex-morador de Mesquita, Márcio Luiz Alves, de 57 anos, pai de Caíque Gabriel, que tem 20 anos e é uma pessoa autista nível 3 de suporte, também se mudou para a cidade buscando o melhor atendimento para o filho.
— Mesmo com plano de saúde, era muito difícil conseguir as coisas que meu filho precisava, eu vivia rodando a Baixada, o Rio de Janeiro em busca de tratamentos, mas a rotina foi ficando mais difícil à medida que ele crescia — conta.
Márcio Luiz e o filho Caíque Gabriel
Arquivo pessoal
Desde 2021, por conta de uma amiga que mora em Maricá, Márcio decidiu se mudar para a cidade por conta do filho e ganhou muito em qualidade de vida.
— Ele rapidamente foi abraçado na Casa do Autista, tem tratamento psicológico, neuroterapia, musicoterapia e terapia ocupacional. Em outras redes públicas, jamais teria conseguido esse tratamento — afirma o pai atípico, que, hoje, vive com muito mais tranquilidade sabendo que o filho, que é não-verbal e tem deficiência auditiva, tem um suporte muito melhor.
Destino saúde
A cidade de Maricá conta com diversos equipamentos públicos que formam uma rede integrada de atenção especializada não só para as pessoas autistas, mas também para suas famílias. — Maricá estruturou uma rede de equipamentos especializados para o atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, com serviços contínuos e atuação integrada. O trabalho é realizado por equipes multiprofissionais, garantindo acompanhamento e suporte às famílias, com foco na inclusão, autonomia e qualidade de vida — ressalta Tatiana Castor, secretária de Pessoa com Deficiência e Inclusão do município. Confira.
Casa do Autista
Inaugurada em 2021, o local oferece atendimento psicológico, fonoaudiólogo, terapia ocupacional, fisioterapia, psicomotricidade, musicoterapia, pedagogia, arteterapia e nutrição.
Caif – Centro de Atendimento Integrado à Família
Lá, são oferecidas oficinas de dança, percussão, expressão corporal, ginástica, arteterapia, pintura, música, atividades lúdicas, arte, reciclagem, origami, práticas cognitivas, jogos recreativos, contação de histórias e capoeira.
Sarem I e II – Serviço de Atendimento de Reabilitação Especial de Maricá
Nos Sarem, há fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, psicomotricidade, musicoterapia, nutrição, terapia ocupacional, psicopedagogia, serviço social e enfermagem (técnico).
Equoterapia
A terapia com cavalos é acompanhada por uma equipe multidisciplinar composta por fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e assistentes sociais, para pacientes de 3 a 21 anos.
Auxílio Cuidar
Auxílio financeiro voltado aos responsáveis por pessoas com deficiência, que ajuda a sustentar a rotina de cuidados, muitas vezes incompatível com o trabalho formal.



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