Mangueira leva para a Sapucaí homenagem à Oyá, entidade do candomblé associada aos ventos e às tempestades

Oyá, divindade do candomblé também conhecida como Iansã, associada aos ventos, às tempestades e às poderosas energias de transformação será o enredo que a Estação Primeira de Mangueira vai levar para a avenida no carnaval de 2027. O orixá já havia sido cantado pela escola no enredo campeão de 2016, “A menina dos olhos de Oyá”, que homenageou Mareia Bethânia.
Entretanto, essa vai ser a primeira vez que um enredo da escola é dedicado integralmente a um orixá. A ideia da agremiação é fazer uma abordagem centrada nas narrativas orais, nos itans, nos orikis e nas vivências do candomblé, numa proposta que reforça seu compromisso com a valorização das matrizes africanas e com a celebração da cultura afro-brasileira na Sapucaí.
Com o título “Oyá Por Nós”, o enredo será desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França, que está em seu terceiro carnaval na agremiação, em parceria com os enredistas Felipe Tinoco e Sthefanye Paz.
—Celebrar Oyá no próximo cortejo mangueirense é a oportunidade de fazer história em verde e rosa na Sapucaí, enaltecendo a identidade negra que o samba herdou do matriarcado nos terreiros de axé. Evocar esta energia feminina, quente e avassaladora, é propor um Brasil tal qual se experimenta no Morro da Mangueira: diverso, potente e transformador! — enfatiza Sidnei França.
Figura central da narrativa mangueirense, Oyá será a condutora do desfile, representando movimento, reinvenção e liberdade. Capaz de assumir múltiplas formas, a orixá se manifesta tanto na força de sua dimensão guerreira quanto na intensidade de seus afetos, simbolizando a potência feminina em suas diversas expressões. Reconhecida também como Iansã, mãe de nove mundos, é guardiã dos caminhos entre o Orun e o Aiyê, representando o comando e a continuidade da vida.
O projeto mangueirense também destaca a herança dos povos africanos e a forma como Oyá é cultuada no Brasil, especialmente dentro das tradições do candomblé. Dona de múltiplos oris, a divindade governa e protege milhares de filhos e filhas, incluindo a própria nação mangueirense, que a reverencia como força ancestral e guia espiritual.
— É um enredo que nasce da nossa fé, aliás é mais que um enredo, é um clamor do mangueirense, é sobre o respeito às nossas raízes e da valorização da cultura afro-brasileira. Oyá representa movimento, coragem e transformação, valores que também fazem parte da história da Mangueira e que busco honrar sempre. Vamos levar para a Avenida um desfile potente, emocionante e profundamente conectado com a nossa comunidade — destaca a presidente da escola, Guanayra Firmino.
Com essa definição, a Mangueira se torna a segunda escola do Grupo Especial a divulgar seu enredo. A primeira foi a Paraíso do Tuitui. No próximo ano, a azul e amarelo de São Cristóvão levará o enredo “Ciata: a mãe preta do samba” para a Marquês de Sapucaí. A escola vai retratar a trajetória de uma das matriarcas do samba. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage e escrito pelo professor Luiz Antônio Simas e pelo compositor Cláudio Russo.
No desfile deste ano, a Mangueira ficou na sexta posição ao levar para aSapucaí o enredo “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra, tema que celebrou o amapaense Raimundo dos Santos Souza, reconhecido por seu saber ancestral e papel fundamental na cultura popular da Amazônia.



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