Daniel Berlinsky: O que mais me orgulha é ter conseguido trazer Beja para os dias de hoje sem perder a força mítica dela. Afinal, Beja é um mito que foi criado em cima de uma mulher que existiu de verdade, Ana Jacinta de São José. Mas é um mito que já teve muitas leituras e o que a gente precisava era tornar essa personagem viva, de forma que ela ainda provocasse. É preciso mergulhar fundo para construir essa narrativa, porque Beja é uma personagem que puxa a novela inteira. Também me orgulha muito o cuidado que nós tivemos com o olhar sobre ela, porque a gente nunca quis reduzir a personagem a um rótulo. O que a gente se esforçou foi para encontrar a complexidade dela, a contradição, a humanidade. Tenho me surpreendido muito com a intensidade da resposta do público. As pessoas não estão só assistindo, elas estão maratonando. Se posicionando, discutindo, tomando partido. E isso é importante, porque esses temas nunca deixaram de existir, eles sempre estiveram aí, a gente só convidou as pessoas para aprofundar o debate sobre eles. Inclusive, assim como Beja, a novela coloca em evidência outras existências que foram oprimidas e ficaram à margem da sociedade e da História. É aí que muita gente se reconhece. Porque se identifica com a dor e a jornada desses personagens tentando ser quem são. Sinto que, especialmente por isso, a novela está gerando conversa e isso é o maior sinal de que o nosso trabalho funcionou. Saio de Dona Beja com a sensação de dever cumprido.



