Após 'BBB 26', Babu Santana encara haters: 'Pensei em rasgar meu contrato e sumir da internet, mas vou enfrentar o gigante que cutuquei'

Leveza. É esta a palavra que Babu Santana vem repetindo inúmeras vezes desde a saída do “BBB 26”, onde teve uma participação polêmica que decepcionou parte dos fãs, tanto aqueles que acompanharam sua trajetória no “BBB 20” quanto os que ele conquistou no início da nova temporada. Com seis anos de diferença entre um jogo e outro, o ator se transformou de favorito a cancelado. O clima pesado dominou a performance do veterano, principalmente nas discussões com Ana Paula Renault, em que ele elevava o tom de voz. Samira também reclamou que o brother foi grosseiro com ela, e não faltou quem o chamasse de soberbo lá dentro. Dias após sua eliminação, o artista de 46 anos revê sua trajetória no reality e reconhece erros e exageros de sua parte.
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Para mostrar que está disposto a encarar os desafios do pós-programa de uma forma mais leve, o ex-BBB posou para a Canal Extra brincando com balões, sujando as mãos de tinta e escolhendo um doce na base do uni-duni-tê (Ana Paula acabou apelidando o ator assim depois de ele ter alegado que a eliminou de uma prova usando a tática da brincadeira infantil).
Filho de uma massoterapeuta e um segurança, Babu é cria do Vidigal, comunidade da Zona Sul do Rio. Embora tivesse uma vida de dificuldades ao lado de uma mãe com esquizofrenia e tendo a violência como vizinha, ele viu seu mundo se transformar ao conhecer o Nós do Morro, organização social da comunidade com projetos de teatro, cinema e cultura, que está completando 40 anos.
Por lá, o sagitariano se formou ator, virou diretor e se tornou inspiração para diversos jovens e para os próprios filhos, Laura, de 23 anos, e Carlos Alexandre, de 22 — frutos de seu relacionamento com a supervisora administrativa Bárbara Nascimento, de 41 — , e Piná, de 10, e Xamã, de 5 — seus herdeiros com a atriz Bruna Barros, de 36.
Fora da casa mais vigiada do Brasil e atualmente solteiro, o artista quer focar em novos personagens em produções audiovisuais, ampliando experiências em sua carreira já consolidada.
Babu Santana
Márcio Farias
Após a eliminação, como avalia o seu jogo?
No começo, desejei ganhar a prova do líder a qualquer custo. Quando consegui, tive a surpresa de ter pessoas queridas por perto e senti uma leveza geral no início do jogo. Depois, quando tentei fazer um contraponto com Ana Paula, em vez de virar rivalidade, se tornou uma fixação. Essa obsessão me cegou e me fez perder a mão. Tenho o grande defeito de agir no ímpeto. Já sou grande, tenho uma voz potente. Nas muitas vezes em que fico nervoso na vida, também perco a mão. Admito meus erros. Quando entro num ponto de nervosismo, perco o controle.
O que você aprendeu nessa temporada?
Que eu posso aprender com os mais novos. Juliano (Floss) tentou me alertar que eu estava passando do ponto. Fiquei admirado com a simplicidade da Chai Chai, a vivacidade da Samira, a dedicação da Tia Milena… Sobre autocontrole, vou tratar na terapia, para estar com a escuta mais aberta.
Você já fazia terapia?
Sim, já tinha passado por várias pressões. Tive que amadurecer muito rápido. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe apresentou um quadro de esquizofrenia, virei cuidador dela. É duro ser ator num universo onde os padrões são muito cobrados. Comecei a fazer terapia para aumentar minha autoestima.
Não estar no padrão comprometeu sua autoestima?
Sempre. Vi as minhas primas alisarem o cabelo por acreditar que o liso era melhor que o crespo. Há pouco tempo, acompanhei a transição capilar delas. Vi pessoas não indo tomar sol para não acentuar a melanina no corpo. Quanto mais melaninado, mais era dificultosa a vida. Hoje vejo as pessoas terem orgulho da pele. Nós somos o país que mais tem pretos fora da África. E as diferenças sociais estão associadas à raça. Já me perguntaram numa entrevista: “Se você não fosse ator, seria traficante?”. Já vivi coisas pesadíssimas e não tinha internet para reclamar. Engoli muita coisa a seco.
Babu Santana
Márcio Farias
Você diz que é nervoso por natureza. Esse lado duro vem do passado?
Veio das injustiças da vida, as agruras do mundo. Lembro que eu questionava na aula de História sobre quem descobriu o Brasil. Eu falava: “Ué, mas se tinha gente aqui, foi invasão”. Isso me criava revolta. Minha mente sempre foi construída dentro dessa questão revolucionária. “Por que não posso ser ator?”, “por que eu tomo dura toda hora?”. Tudo isso me vinha com muita fúria. Ser leve agora está sendo um desafio. Estão questionando minha integridade, minha moral. Não me arrependo de ter enfrentado a Ana Paula. Eu era o contraponto dela, porém pontuei de forma errada. Fui infeliz. Foi falta de inteligência, e estou pagando o preço.
O que acha dos comentários nas redes?
Falam até sobre minha aparência. No começo, fiquei muito triste. Não sou contra a Ana Paula, eu a questiono. Aqui fora é um homem gritando com uma mulher. Por mais que eu queira argumentar que seja um participante discutindo com o outro, entendo que é um homem gritando com uma mulher e, de fato, não concordo.
Vai processar autores de comentários?
Quando for ato calunioso e difamatório, pretendo processar, sim. Vejo o “hater” como uma pessoa carente. Quando vem um comentário tipo “que cara gordo e feio”, isso ofende e dá vontade de responder. Minha principal preocupação como ser humano é a nova forma de se comunicar. Ela é muito mais alimentada pela força do ódio. Dentro desse turbilhão, cheguei a pensar: “Nossa, o mundo me odeia”. Mas comecei a encontrar mensagens de apoio. Até entendo as pessoas que torceram por mim e choraram comigo terem se decepcionado depois. Quando peço desculpa, não quero ser midiático ou ter a simpatia da torcida da Ana. Reconheço que houve excesso. A minha intenção era ganhar R$ 5 milhões. Esse capitalismo selvagem faz com que a gente faça coisas com as quais não concorda.
Babu Santana
Márcio Farias
Muita gente falou que você é machista…
Não acho que homem pode gritar com mulher. Não tenho problema com o protagonismo feminino. Pelo contrário, as mulheres são protagonistas na minha vida. Na minha família, os homens são minoria. Acho que a salvação na política são as mulheres. Se elas estivessem no poder, teria menos guerra.
Você disse a frase “não sou da artilharia, sou da poesia”. Quando teve essa percepção?
Nasci numa favela onde a violência é muito presente. Quando falo artilharia, é artilharia mesmo, não é metáfora. É um pesadelo na nossa vida, principalmente para quem não é bandido ou policial. Foi um terror na minha infância e adolescência. Mesmo não morando mais no Vidigal (Babu divide um apartamento com dois amigos na Zona Sudoeste do Rio), ainda vou lá para dar aula e visitar a família. Sou completamente contra a violência, a favor dos direitos humanos.
Não foi contraditório você falar no “BBB” que iria “cair atirando” com a Ana?
Me arrependo mais dessa frase do que de qualquer outra. Acho que eu poderia ter buscado uma ideia mais singela. Ao passo que não quero agressão, eu promovo violência ao proferir um palavrão e alterar minha voz. Sim, galera, exagerei!
Babu Santana
Márcio Farias
Lembra de outros exageros na vida?
Já estive em perigo numa outra comunidade. Mas minha serenidade fez com que eu dialogasse e saísse de lá ileso. A partir dali, comecei a observar que, toda vez que eu fui truculento, recebi truculência, e toda vez que eu respondi truculência com tranquilidade, consegui contornar as adversidades.
Como foi ter uma mãe com esquizofrenia?
Sempre fui muito amado. Dentro das dificuldades, a gente começou a entender por que a minha mãe tinha rompantes de violência. Descobrimos que ela tinha predisposição à esquizofrenia e não deveria ter acesso a álcool. Ela frequentava o Santo Daime, não poderia tomar o (chá de) ayahuasca. Isso tudo atrapalhou. Até descobrir a doença e tratar, foi bem difícil. Só perto da morte dela (em 2014, após uma luta contra o câncer de mama), ela teve equilíbrio.
Seu pai foi presente?
Tivemos muitas brigas, mas ele sempre esteve presente nas dificuldades. Quando saí do “BBB 20”, entrei num buraco, porque várias coisas deram errado. Terminei um relacionamento e meu pai teve uma crise de acidose (desequilíbrio nos níveis de ácido no sangue). Quase morreu.
Como é sua relação com os seus filhos?
Me orgulho de ver a evolução deles. Laura vai se formar em fisioterapia, e Carlos faz publicidade, além de estar se encantando por fotografia. Se eu ganhasse R$ 5 milhões no “Big Brother”, eu ia montar um escritório pra minha filha e um estúdio pra ele. Brinco que fui um péssimo marido, mas um excelente pai. As minhas ex, mães dos meus filhos, são pessoas importantíssimas pra mim, pois também distribuíram esse carinho para criá-los.
Como o teatro entrou na sua vida?
O meu interesse começou por uma paquera. Eu era a fim de uma menina do colégio. Ela foi para um projeto de teatro, e fui atrás. Ela não me deu bola, mas eu encontrei o teatro. Pedi ao meu pai para me botar em cursos, mas ele não tinha dinheiro. Meu tio-avô era casado com uma das fundadoras do Nós do Morro. Conheci o projeto, e o mundo se abriu.
O Nós do Morro é importantíssimo na sua vida, tanto que você tem a logomarca tatuada.
Ele representa muito para mim. Antes de conhecer o projeto, achavam que eu seria atleta. Lutei taekwondo, joguei basquete e beisebol. Mas eu não me adaptava à disciplina do esporte. O teatro foi arrebatador. Eu não gostava de ler. Quando conheci Nelson Rodrigues, amei. Meus filhos com a Bárbara nasceram praticamente dentro do Nós do Morro. Conheci a Bruna lá. O Nós do Morro me ensinou a identificar as coisas boas da vida, além de ter me dado uma profissão.
Babu Santana
Márcio Farias
O que faz lá hoje?
Sou diretor. Nos últimos anos, me tornei uma espécie de embaixador que busca recursos e, quando nossa diretora artística se desligou, ocupei essa função. Se eu ganhasse a grana do “BBB”, patrocinaria os 40 anos do Nós do Morro. Tenho fé que, quando essa onda de “hater” baixar, vou bater na porta das empresas (em busca de patrocínio) e vou conseguir. O Nós do Morro merece reconhecimento nacional. Nós somos muitos, todos da comunidade. A gente fez o papel do Estado durante 40 anos na região.
De que forma o Nós do Morro ajuda os jovens?
Ah, pergunta para Marcelo Mello Júnior, Roberta Rodrigues, Thiago Martins, Michael Borges, Arthur Sherman… Pergunta na comunidade. O menino da favela passou a ter outro olhar e virou exemplo.
Após o “BBB”, o que vislumbra para o futuro?
“Vomitei” de uma forma que me deixa triste comigo. Minha tristeza não é porque as pessoas estão falando mal de mim. Minha dor é, de repente, não conseguir recuperar relevância dentro das questões pelas quais luto desde pequeno. Pensei em rasgar meu contrato, não fazer mais nada e sumir da internet, mas vou enfrentar o gigante que eu cutuquei.
Créditos:
Texto e produção executiva: Thomaz Rocha
Edição: Camilla Mota
Fotos: Márcio Farias @marciofariasfoto
Beleza: Vivi Gonzo @makegonzovivi
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