Prefeitura do Rio aplica primeira dose de Ozempic pelo SUS em inauguração do Super Centro de Saúde de Campo Grande

Depois de cruzar a Avenida Brasil e o novo Túnel de Campo Grande, euzinha cheguei ao novo Super Centro de Saúde da Zona Oeste, inaugurado nesta quarta-feira. O ar-condicionado tinindo mesmo diante de um sol para cada um foi o primeiro motivo de alegria. Em seguida, uma surpresa: enfim vi a primeira aplicação de Ozempic (nome comercial do semaglutida, princípio ativo do medicamento contra o diabetes, usado no tratamento contra a obesidade) na rede pública de saúde carioca. Essa foi uma promessa do prefeito Eduardo Paes em entrevista a esta humilde coluna na eleição de 2024. No novo espaço em Campo Grande, passa a funcionar o Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo.
— Ema, promessa feita, promessa cumprida. Viva o Ozempic! Viva a Ema a Jurema! — discursou o prefeito Eduardo Paes. — É óbvio que tem um aspecto que todo mundo presta mais atenção, que é o aspecto estético, as pessoas emagrecerem. E todo mundo gosta de estar em forma. Mas esse é um medicamento que muda a vida das pessoas, pela saúde.
Promessa cumprida: Eduardo Paes ao lado de Ema Jurema durante evento nesta quarta-feira
Júlia Aguiar
A paciente número um foi a dona de casa Maria das Graças da Silva, de 69 anos. Moradora de Santíssimo, também na Zona Oeste, ela recebeu conselhos do próprio prefeito, que contou a ela ter perdido 30 quilos com o medicamento (algo que revelei aqui na eleição) e, por isso, iria aplicá-lo no SUS, conforme prometeu. Já que a agulhada é autoaplicável, Dudu se candidatou e ele próprio deu a injeção na paciente, diante de um time de repórteres, fotógrafos e euzinha, claro.
— Não é estética, é saúde — resume Maria, que hoje pesa 140 quilos.
E isso não é vergonha, Maria. Apesar de bem-humorada e atenta aos moços bonitos que vão trabalhar no novo Super Centro, ela revelou que convive com hipertensão, ansiedade e desenvolveu um quadro depressivo, tudo por conta do peso. Por má circulação nas pernas, ainda foi parar no hospital na semana passada por conta as dores. A dona de casa tem um compromisso marcado daqui uma semana, de retornar para receber a nova dose do medicamento.
— No espelho, não gosto do que vejo. A roupa não fica legal. Tenho roupas novas que visto e tiro. Tem uma amiga que fala que só uso cor escura, mas é o que esconde um pouquinho (a barriga). Isso tudo colocou minha autoestima lá embaixo — completa Maria, que passa a fazer acompanhamento no Super Centro.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, detalha que o começo desse tratamento com semaglutida se dá por Campo Grande, com 320 pessoas selecionadas, todas com IMC acima de 40 (obesidade nível 3) e comorbidades associadas. Daqui a três meses, essa iniciativa será ampliada para 10 mil pacientes, que estão sendo acompanhados pelas clínicas da família de toda a cidade, também com esses critérios.
Inicialmente, a prefeitura realizou uma compra pequena com a Novo Nordisk — fabricante do Ozempic — para validar e testar o protocolo do tratamento da obesidade. São cerca de 300 doses por mês. Futuramente, após a queda da patente da semaglutida (o que, em português claro, quer dizer que mais empresas poderão produzir o medicamento, o que fará o preço abaixar), haverá uma licitação para a compra de mais doses, para atender toda a cidade.
É bom lembrar ainda que os pacientes não poderão levar as canetas emagrecedoras para casa: a aplicação será no Super Centro de Campo Grande ou nas farmácias das clínicas da família. Euzinha dei um spoiler disso tudo na semana passada, quando entrevistei Soranz lá na prefeitura do Rio. Mas, naquela ocasião, o secretário disse que a aplicação deveria começar mês que vem. Ele nega que tenha dado um drible em mim.
— A Ema deu o furo, mas o grande dia era o de hoje. Eu avisei a você que aqui teriam surpresas: a Ema que não pegou, bobeou — brincou Soranz.
No evento, a prefeitura do Rio também assinou um acordo de cooperação técnica com a Novo Nordisk para, independente de ganhar a licitação para distribuição de canetas no SUS, poder acompanhar o tratamento da obesidade nos sistema de saúde pública carioca. Isso tudo servirá, após dois anos, para mostrar os benefícios para a saúde dos pacientes, assim como para a cidade. Euzinha fui convidada para esta solenidade, levada por Paes, que estava acompanhado por um representante do laboratório, assim como pelo seu vice, Eduardo Cavaliere; Soranz; e o presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado.
Ema Jurema no Super Centro de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande
Júlia Aguiar
Na prática, o Super Centro da Zona Oeste reúne os centros de Especialidades — é sob esse guarda-chuva que está o de Obesidade, assim como o de acompanhamento de pacientes no transtorno do espectro autista — e de Reabilitação. Futuramente, contará ainda com o centro de Hemodiálise.
Com área de 7 mil metros quadrados (é grandão) e funcionamento de segunda a sábado, o Super Centro custou R$ 61 milhões, recurso oriundo da Câmara dos Vereadores do Rio (que economizou essas cifras, olha só), que destinou R$ 50 milhões exclusivamente para a sua construção, e outros R$ 50 milhões para a Secretaria de Saúde, no geral.



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