Luiz Eduardo Baptista, o Bap, assumiu a desejada presidência do Flamengo no início do ano passado prometendo pôr fim ao que julgava ser um marasmo no funcionamento do clube — na visão dele, uma máquina de fazer dinheiro. Irônico, decretava pelos corredores o fim do “FlaBR”, em alusão ao comportamento de empregados e colaboradores que (na visão dele) cumpriam suas rotinas como se estivessem em cargos vitalícios. Desligou os mais chegados à gestão do antecessor Rodolfo Landim, contratou outros tantos e “pôs fogo no parquinho”.
No início deste ano, Bap alardeou aos quatro cantos o crescimento de 27% na captação de receitas do Flamengo de 2024 para 2025 — o primeiro exercício da gestão. Comprou brigas políticas dentro e fora do clube, fez novos desafetos e sempre que teve oportunidade reforçou o discurso de que não irá tolerar traidores. E também que não passará a mão na cabeça de (na visão dele) incompetentes. Em fevereiro, a vítima foi o diretor de marketing Roberto Trinas, admitido por ele no início da gestão para cuidar de receitas geradas com sócios-torcedores.
O executivo foi desligado mesmo com aumento de 64% no número de inscritos no projeto, saindo de 72 mil em 2024 para 118 mil em 2025 — faturamento de R$ 81,1 milhões, 13% superior ao do ano anterior. Enfim, é só um exemplo para entender o modus operandi do cartola que ordenou a “degola” de Filipe Luís, que, como técnico, conquistou cinco títulos em 16 meses de trabalho. O ex-jogador, torcedor apaixonado do clube e que alcançou o patamar de ídolo, foi desligado na madrugada da última terça-feira, na antessala do vestiário do Maracanã, após o time golear o Madureira por 8 a 0.
Bap não tolerou a (na visão dele) traição de Filipe Luís no processo para a renovação de contrato em dezembro passado e fez dos dois troféus perdidos em fevereiro um motivo suficiente para desligar o técnico — afinal, o clube amargou “prejuízo” de R$ 10 milhões em premiações. José Boto, o diretor que comunicou a decisão a Filipe Luís, sem levar em consideração o que ele representava para a história do clube, também já teve pena decretada nos bastidores: sua demissão é questão de tempo — e, desta vez, o porta-voz será o próprio presidente do Flamengo.
No próximo domingo, no Fla-Flu que decidirá o Campeonato Estadual, no Maracanã, o novo treinador rubro-negro, Leonardo Jardim, estará à cavalheiro no banco de reservas. Se o time perder o tricampeonato, os gritos e as ofensas já têm alvo definido.
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