A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou uma parceria com entes públicos que vai envolver a oferta do Wegovy, medicamento para perda de peso do laboratório, em alguns serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O fornecimento fará parte de um projeto de implementação de um protocolo de cuidado para obesidade que busca gerar dados sobre o seu impacto na rede pública.
Aromaterapia: o que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro
Cabelo, identidade e contorno facial: por que mulheres impulsionam boom de transplante capilar e sobrancelhas
Três instituições dos três níveis da esfera pública serão contempladas pelo programa. Até o momento, a parceria já foi firmada com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que é federal, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e com o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), na capital do Rio de Janeiro. Um terceiro local, que seja municipal, ainda será definido.
A iniciativa no Brasil faz parte de um programa global de Acesso Equitativo lançado pela Novo Nordisk com o governo da Dinamarca nesta quarta-feira, Dia Mundial da Obesidade. Além da ação no SUS, haverá projetos no país europeu e em algumas ilhas do Pacífico. O objetivo é contribuir com evidências clínicas, econômicas e sociais para apoiar futuras decisões em saúde pública a partir de uma abordagem multidisciplinar e sustentável.
Hoje, não há medicamentos incorporados ao SUS para tratamento da obesidade. Com a eficácia inédita observada com os análogos de GLP-1, classe que ficou conhecida como “canetas emagrecedoras”, entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), têm defendido a sua inclusão na rede pública.
A demanda ocorre especialmente em meio à alta da obesidade no país. A prevalência saltou 118% de 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no país (25,7%), segundo os últimos dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. Considerando o sobrepeso, quando o índice de massa corporal (IMC) já ultrapassa 25 kg/m², a alta foi de 46,9%, e o quadro agora acomete a maioria dos brasileiros (62,6%).
Devido ao alto custo, porém, pedidos para inclusão da semaglutida, princípio ativo do Wegovy, no SUS foram negados em análises recentes da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil, explica que o objetivo do novo projeto é justamente gerar dados de vida real que podem embasar novas análises do tipo:
— A ideia é começar a gerar dados de mundo real de como tratar obesidade com essa visão multifatorial e como transformar isso em políticas públicas concretas. Porque conseguimos analisar não só o desfecho clínico, mas também o impacto direto dentro do SUS.
Para isso, o programa não vai englobar apenas a oferta do Wegovy, mas sim um protocolo completo de cuidado, que envolve ainda orientações psicológicas, nutricionais e de atividade física. Junto aos centros escolhidos, será feita a capacitação dos profissionais e a definição de quais pacientes serão atendidos. A ideia é começar com aqueles de alto risco, e a previsão é que o projeto dure pelo menos dois anos, com potencial de expansão.
— Os estudos (com o Wegovy) trazem dados super importantes que mostram que, além do tratamento da condição de base, que é a obesidade, temos redução de risco cardiovascular. Então essa pode ser uma população elegível. Pacientes que tiveram um infarto, um AVC, que tenham uma doença coronariana, uma aterosclerose estabelecida. Muito provavelmente esses pacientes serão os elegíveis, mas vai depender do protocolo local — diz Priscila Mattar, endocrinologista e vice-presidente da área médica da Novo Nordisk Brasil.
Bia explica que, a partir de agora, serão feitas as discussões para definir os detalhes também dos protocolos a partir da infraestrutura existente nas instituições parceiras. Além disso, serão feitos os processos licitatórios para aquisição do medicamento pelos centros. Esses trâmites devem ocorrer no primeiro semestre, mas ainda não há uma previsão para quando os atendimentos terão início.
Sobre os valores do Wegovy, principal entrave quando o assunto é incorporação do medicamento na rede pública, o porta-voz da Novo Nordisk diz que haverá condições para que eles não sejam “uma barreira”. Mas não especifica se haverá um subsídio pela farmacêutica ou se o medicamento será oferecido a preços reduzidos.
— Nós vamos trazer uma condição para que o preço não seja uma barreira para o projeto começar. Mas o processo licitatório segue as regras normais, em que todas as empresas que têm um produto que se adeque ao edital podem apresentá-lo — afirma.
Já os outros custos do projeto, como capacitação dos profissionais e coleta e análise dos dados gerados, serão exclusivamente da farmacêutica. O projeto foi apresentado ao Ministério da Saúde, que acompanhará a análise dos resultados da implementação nesses três centros, nesta quarta-feira.
Para Conrado Carrasco, head de Políticas Públicas e Parcerias da empresa, será possível constatar como o protocolo com o Wegovy leva a benefícios para o sistema público de saúde:
— Temos uma expectativa de mostrar com dados o quanto esse protocolo de cuidado integrado pode diminuir a pressão sobre filas, a demanda por cirurgias, os eventos cardiovasculares, hospitalizações.
Source link



