O ex-governador do Rio Sérgio Cabral pediu ajuda ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar para que intercedesse em um processo em andamento no Tribunal de Justiça do Rio, afirma a Polícia Federal. Cabral desejava que um processo em que é réu por improbidade administrativa saísse da pauta de julgamentos, o que acabou ocorrendo.
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O pedido aparece em mensagens enviadas por Cabral a Bacellar em maio de 2025.
“Segundo o desenrolar das conversas, Cabral solicita que Bacellar interceda para que o julgamento do processo, marcado para o dia 27/5/2025, seja retirado de pauta”, afirma a Polícia Federal no relatório.
Mensagem de Cabral para Bacellar
Reprodução
Uma semana depois, Cabral reforçou a solicitação, e Bacellar disse que estava tentando resolver o assunto.
Mensagem de Cabral para Bacellar
Reprodução/PF
O processo posteriormente saiu de pauta, o que motivou um agradecimento de Cabral: “Te amo, amigo”.
Mensagem de Cabral para Bacellar
Reprodução/PF
Entenda o caso
A PF indiciou o deputado estadual afastado Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, por vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. Outras três pessoas também foram indiciadas.
Segundo as investigações, TH Jóias utilizava o mandato na Assembleia Legislativa do Rio para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou que ” inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas”. A defesa acrescenta que o indiciamento é “arbitrário e abusivo”.
Em dezembro, a PF prendeu Bacellar, então presidente da Alerj, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele era suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão de TH Jóias, em setembro.
De acordo com a PF, a ação ilegal causou obstrução na investigação realizada no âmbito da Operação Zargunq, que apontou relação de TH com a facção Comando Vermelho. O envolvimento do presidente da Alerj foi apontado pela PF após análise do material apreendido naquela operação. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias são apresentadas como provas do possível vazamento.
Bacellar foi preso na sede da PF após ser chamado para uma reunião com o superintendente. Foram feitas ações de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado — em Botafogo, Campos dos Goytacazes e Teresópolis — e no seu gabinete na Alerj.
O ex-deputado preso TH Jóias também foi levado para a sede da PF. Ele passou cerca de 1h20 no local, mas decidiu ficar em silêncio e não responder aos questionamentos dos agentes.
Na petição da época, Moraes afirmou que a investigação da PF mostra que Bacellar é ” primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio “TH Jóias”, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar” a quem chama de “01”.
Na mensagem em que comunica ter mudado o número do telefone, Bacellar responde com uma figura indicando que ” já tinha conhecimento de que haveria a troca”, como consta no documento do STF.
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, mulher do desembargador Macário Júdice Neto e ex-assessora da Alerj; Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, ambos ligados a TH Jóias.
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Cabral pediu a Bacellar que intercedesse em processo na Justiça e escreveu ‘te amo’, diz PF; veja a mensagem



