A gente plantava milho, feijão para a nossa subsistência. Criava porco, galinha. Isso foi até a Chaiany fazer 15 anos e engravidar. Meu pai, que é autônomo, já trabalhava com refrigeração, instalando ar-condicionado, consertando geladeira, fazendo manutenção em mercado. Então, além da roça, o nosso sustento vinha da profissão dele. Quando Chaiany engravidou, teve toda a questão da vergonha pública. Meus pais decidiram morar em Brasília, porque aqui teria mais oportunidades de trabalho. Fomos para o Sol Nascente, onde moramos até hoje, num barraco que chegou a ser ameaçado de derrubada algumas vezes. Depois, regularizou. Graças a Deus, hoje está tudo certo. Mas, quando chegamos, era muita lama, não tinha esgoto, água encanada, nada. E a gente nunca se desfez da casa da roça. Nunca iríamos abrir mão daquele lugar. É meu pai quem sustenta a Chaiany, quem cuida da Lara (filha da BBB) e da minha mãe. Tem uns dois anos que meu pai conseguiu construir a piscina na roça. É uma casa para onde a gente sempre vai. Quando a Chaiany disse que a gente foi criada sem energia, é verdade. Lá é um lugar muito precário, humilde. É só ir lá ver.



