“A polêmica e triste trend mostra jovens se expõem de uma forma que mulher alguma deveria se expor, com total desrespeito e desvalorização a si mesmas. Numa geração em que não basta sentir, é preciso performar o sentir, a dor vira estética, a rejeição vira trend e o sofrimento vira identidade temporária. Quando uma pessoa não tem senso sólido de valor interno, ela tenta construir esse valor através do olhar externo. Quanto mais frágil o “eu”, maior a necessidade de plateia. O que antigamente se confidenciava entre amigas, hoje virou conteúdo e, quanto mais íntimo, maior o engajamento”, opinou ao PAGE NOT FOUND Aline Cataldi, psicóloga, mestre em Saúde Mental, terapeuta holística e escritora. “Há uma busca por validação, colo e necessidade de transformar a dor em narrativa e uma imatura tentativa de sobrevivência emocional. Postar pode ser uma forma de deixar de ser “a rejeitada” e virar “a que superou”. É a sociedade da performance e do exibicionismo falando mais alto, na qual o que importa é ser visto, ter curtidas e aumentar o número de seguidores. Emocionalmente, certas escolhas podem cobrar um preço alto. Fugir de se olhar, de olhar para dentro, nunca foi a melhor opção. O autoconhecimento liberta”, acrescentou ela.



