O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no carnaval carioca repercutiu na imprensa internacional. Em sua estreia no Grupo Especial, a agremiação — que homenageou o presidente Lula em desfile na Sapucaí — perdeu pontos em praticamente todos os quesitos. Apenas na categoria “samba-enredo” a agremiação levou nota 10, e de só dois jurados.
A BBC ressaltou que o carnaval do Rio “manteve sua tradição de dança vibrante e cores” e citou a vitória da Viradouro. Ponderou, porém, que este ano “houve um elemento adicional de entretenimento: a controvérsia política”. A rede britânica destacou a presença de Lula na Sapucaí e a alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço atrás das grades. Listou as críticas da oposição e a série de pedidos à Justiça contra uma suposta vantagem eleitoral para o petista.
Além disso, a rede britânica contou que muitos internautas criticaram a apresentação de componentes vestidos como uma família tradicional numa lata “em conserva”, na ala intitulada “neoconservadores”, por considerá-la uma “zombaria dos valores cristãos”.
“Apesar da controvérsia, o desfile de leões gigantes, livros dançantes e plumas coloridas como o arco-íris ainda encantou o público”, disse a BBC.
A France24 também destacou as críticas a elementos do desfile “que zombavam de conservadores e dos valores tradicionais da família”. A rede francesa afirmou que a Acadêmicos de Niterói “irritou a oposição” mesmo antes do desfile com imagens de Jair Bolsonaro nos ensaios técnicos.
“Entretanto, os jurados – que avaliam tudo, desde a narrativa até os figurinos, carros alegóricos e coreografia – não ficaram impressionados com a primeira apresentação da Academicos entre as escolas de elite”, destacou.
Assim como a BBC e a France24, a EFE deu destaque para a reação do filho de Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
“O próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, escreveu nas redes sociais o senador, descrito pela EFE como o principal rival de Lula nas urnas, segundo as pesquisas de intenção de voto.
A AFP, por sua vez, reportou que o desfile acumulou críticas por ridicularizar conservadores.
“A oposição de direita denunciou uma campanha secreta para beneficiar o presidente de 80 anos, que está no poder desde 2023 e é pré-candidato à reeleição nas eleições de outubro. A apresentação também não impressionou os jurados, que avaliam as performances com base em critérios técnicos e estéticos. Na quarta-feira, eles atribuíram a nota mais baixa ao grupo de Niterói, cidade vizinha do Rio”, noticiou a agência.
A AFP destacou que foi o primeiro desfile na História a homenagear um presidente em exercício e citou a reação à ala dos “neoconservadores enlatados”.
A agremiação levou para a Avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O tema gerou controvérsia, sobretudo em se tratando de ano eleitoral. Na semana passada, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, pedidos para que o desfile não ocorresse, por configurar propaganda eleitoral antecipada.
Os ministros da Corte afirmaram que a proibição antes de o desfile ocorrer configuraria censura prévia, mas ressaltaram que poderia haver punição futura caso acontecessem ilícitos eleitorais na Avenida.
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Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, repercute na imprensa internacional



