— Há uma ideia de que surdos não gostam de música, o que não é verdade, pois eles sentem a vibração e querem entender. Quando a gente traz o sentido daquilo por meio dos sinais, eles fazem as conexões. Como a letra do samba se repete durante o desfile, chega um momento em que eles acabam reproduzindo e é como se estivessem todos cantando com a gente — conta a intérprete, que é servidora do Instituto Nacional de Educação de Surdos e filha de pais surdos: — Meus pais se tornaram surdos na infância, um por meningite e outro por acidente envolvendo bomba. Filhos de pais surdos acabam se tornando intérpretes por natureza. Mas hoje, além de ser do Instituto, o que dá orgulho ao meu pai, que foi aluno de lá, eu dou aula de libras na Uerj. Não trocaria minha profissão por qualquer outra.



