O prefeito Eduardo Paes afirmou durante coletiva no Centro de Operações e Resiliência (COR) que o principal problema no Rio agora são as empresas de ônibus que temem colocar a sua frota na rua com medo de ter ônibus depredados ou incendiados. A população enfrenta problemas para voltar para casa em razão da falta de coletivos nas ruas, além de BRTs, metrôs e trens lotados.
— O Rio não pode ficar refém de grupos criminosos. Eu determinei que os órgãos municipais continuem funcionando normalmente. É importante as pessoas olharem os órgãos oficiais de comunicação e os veículos da grande mídia para se informarem adequadamente.
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Paes fez questão de tranquilizar a população carioca na volta para casa.
— Temos insistido com eles (empresas de ônibus) que o serviço continue e, no momento, tudo está funcionado, o BRT, o metrô, o trem, as barcas, o VLT, tudo funcionando normalmente.
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Impactos
Por causa da operação, 46 unidades de educação municipais fecharam as portas. Vinte e nove delas ficam no Alemão e outras 17, no Complexo da Penha. As universidades Federal (UFRJ), Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal Fluminense (UFF) suspenderam as aulas. A Fiocruz decidiu encerrar as atividades às 15h30.
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro suspendeu a sessão plenária prevista para esta terça-feira. Segundo a Casa, a medida visa a garantir a segurança de todos.
Cinco unidades de Atenção Primária que atendem a região da Penha e do Complexo do Alemão suspenderam o início do funcionamento, informou a Secretaria municipal de Saúde. De acordo com a pasta, elas avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Uma clínica da família mantém o atendimento à população, mas suspendeu as atividades externas, como as visitas domiciliares.
O Rio Ônibus informou que seis ônibus tiveram suas chaves retiradas e foram utilizados como barricadas em diferentes regiões da cidade. Vinte linhas de ônibus também estão com seus itinerários desviados preventivamente, informou o sindicato.
Imagens captadas por drones mostraram criminosos armados fugindo em “fila indiana” pela mata da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, durante a operação.
Traficantes fogem da Vila Cruzeiro em ‘fila indiana’ durante mega operação das políciais no Rio
Reprodução
Ônibus utilizados como barricadas
Vicente de Carvalho – C27097 – 940 (Ramos x Madureira)
Estrada do Camboatá – B11506 – SV669 (Pavuna x Méier)
Avenida Nazaré – B51637 – SV624 (Mariópolis x Praça da Bandeira)
Avenida Brasil – B11514 799 (Pavuna x Bangu)
Desvios na Penha
721 Vila Cruzeiro x Cascadura
312 Olaria x Candelária
313 Penha x Praça Tiradentes
621 Penha x Saens Peña
622 Penha x Saens Peña
623 Penha x Saens Peña
625 Olaria x Saens Peña
628 Penha x Nova América
679 Grotão x Méier
Desvios no Engenho da Rainha
292 Engenho da Rainha x Castelo
688 Pavuna x Meier
687 Pavuna x Meier
629 Irajá x Saens Peña
Desvios no Alemão (Avenida Itaóca e Estrada do Itararé)
292 Engenho da Rainha x Castelo (voltou a desviar)
711 Rocha Miranda x Rio Comprido (voltou a desviar)
908 Terminal Deodoro x Bonsucesso
SV908 Terminal Deodoro x Bonsucesso
312 Olaria x Candelária
623 Penha x Saens Peña
628 Penha x Nova América
Desvios no Chapadão
799 Pavuna x Bangu
669 Pavuna x Meier
SV669 Pavuna x Meier
778 Pavuna x Cascadura Comprido
Série mostra presença de bandidos de fora no Rio
Há duas semanas, a série Conexões do Crime, do EXTRA, mostra como o Comando Vermelho intensifica sua presença em outros estados do país, numa estratégia de nacionalização frente ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Com esse objetivo, o grupo carioca incorpora ou se alia a facções locais, ao mesmo tempo em que abriga, nas comunidades do Rio, traficantes vindos de fora. Em áreas sob domínio da facção no Rio, órgãos de segurança pública fluminenses já identificam a presença de criminosos de 12 estados, como Ceará, Bahia, Rondônia e Minas Gerais. Por outro lado, o CV se espalha por 24 estados e o Distrito Federal.
A migração de bandidos para o Rio, revela a série, é um sistema de “ganha-ganha”: os criminosos de fora que chegam a comunidades como a da Rocinha e as do Complexo do Alemão conquistam proteção, status e novos conhecimentos na cidade; já o CV amplia franquias Brasil afora, incluindo poderio sobre rotas de escoamento de armas e drogas.
— Hoje está muito comum falar de trabalho híbrido ou remoto. O crime faz o mesmo. Eles entenderam que o chefe não precisa mais estar no estado de origem. Ele pode ficar protegido no Rio e tomar as decisões por videochamadas. Isso é muito vantajoso para todos eles. O chefe do tráfico fica num local de difícil acesso para a polícia, e a organização protege seus principais ativos, diminuindo a rotatividade e gerando estabilidade nos negócios, principalmente em estados que fazem fronteira com outros países — disse à série, dois domingos atrás, o promotor de Justiça Anderson Batista de Oliveira, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Rondônia, um dos estados que têm chefes do tráfico presentes no Rio.
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A segunda maior facção do Rio, o Terceiro Comando Puro (TCP), também já adota a expansão pelo Brasil. Levantamento do EXTRA mostrou que a guerra entre CV e TCP, inclusive, já se replica em pelo menos cinco estados (Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará, Bahia e Acre). As facções cariocas vêm disseminando também táticas de ocupação e exploração de territórios, como cobrança de taxas ilegais e venda de sinal clandestino de internet, além de uso de fuzis e montagem de barricadas.
Na Bahia, a Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou a atuação de organizações fluminenses é investigada e que as apreensões de fuzis aumentaram quase 300%, de 2022 a 2024, quando foram recuperadas 22 e 86 unidades, respectivamente. Somente este ano, 114 foram apreendidos, diz a pasta.
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