Associativismo, empreendedorismo, sustentabilidade e geração de renda. A receita de sucesso do projeto “Artemísia – Escola de Mulheres e Bioeconomia”, que vem alcançando mulheres em dez territórios com vulnerabilidade fluminense, de Cabo Frio a Duque de Caxias, passando por Belfort Roxo, Guaratiba, Magé, Mesquita, Paracambi, Realengo-RJ, Recreio dos Bandeirantes-RJ e São Gonçalo.
Bioeconiomia é um sistema econômico que utiliza recursos biológicos renováveis para produzir bens e serviços, visando o desenvolvimento sustentável e a substituição de fontes fósseis.
“Ao cultivar hortas comunitárias, manipular ervas medicinais e produzir sabonetes e cosméticos naturais, as mulheres constroem caminhos de resistência, geração de renda e regeneração ambiental”, diz a coordenadora Leila Araújo, da UFF, a parte acadêmica da parceria que envolve Instituto BR e Sebrae-RJ.
O projeto oferece um percurso formativo completo, que une reflexão e prática. As participantes aprendem sobre bioeconomia, empreendedorismo, identidade, comunicação, finanças e autocuidado, sempre a partir de uma perspectiva interseccional e inclusiva.
Amanda Machado é cabeleireira no bairro Monjolos, em São Gonçalo, e se integrou ao projeto com a intenção de aprender a saboaria para vender sabonete no salão.
“No encontro com outras mulheres aprendi sobre associativismo e cidadania, mas quero dar um passo maior e integrar a uma cooperativa de mulheres que está se formando na região.”
Outra aprendiz que vem ficando cada vez mais motivada em São Gonçalo, Fabiana da Silva estava sem nenhuma perspectiva.
“Desistindo mesmo. Agora já estou vendendo sabonete a R$ 25, em Guaxindiba, um bairro pobre de São Gonçalo.”
Lília Silva dando apoio às oficinas de cidadania em Magé/
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O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e, para a professora de saboaria Angélica Ribeiro, essa desigualdade se expressa de forma ainda mais dura quando atravessa o corpo de mulheres negras, periféricas e com deficiência.
“Elas enfrentam a pobreza não só em sua dimensão material, mas também nas barreiras cotidianas que limitam o acesso à renda, à saúde, à mobilidade e à dignidade. É nesse contexto que o projeto de bioeconomia surge como resposta e possibilidade.”
A iniciativa é um movimento de reconexão com a terra, com a coletividade e com as práticas tradicionais. Está qualificando as mulheres de comunidades periféricas para o associativismo e empreendedorismo, como a produção de sabonetes naturais e o cultivo de ervas medicinais, resgatando saberes tradicionais e promovendo a autonomia.
“Mais do que uma formação técnica, o Artemísia é um reencontro com a identidade e a força coletiva. Ao valorizar práticas naturais e o cuidado como potência econômica, o projeto mostra que é possível gerar renda preservando vínculos culturais, afetivos e ambientais”, acrescenta Leila Araújo.
Mãos dadas com a ONU
Sabonetes naturais à base de óleo de palma, óleo essencial, argila, carvão ativado, produzido na oficina do Projeto Artemísia, em Tamoios – Cabo Frio
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A iniciativa está alinhada com a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reconhecer e fomentar projetos de promoção da sustentabilidade como Soluções Baseadas na Natureza (SBN) – práticas que conciliam o fortalecimento de comunidades com a conservação dos ecossistemas e o enfrentamento das mudanças climáticas.
A ação acontece em dez localidades do estado e já está na segunda etapa.
Todos os materiais utilizados na formação seguem princípios ecológicos, reforçando o compromisso com a sustentabilidade em todas as etapas do projeto. Além disso, o projeto aposta em uma linguagem acessível e sensível, com identidade visual assinada por Camilla Muniz, conhecida por seu trabalho com marcas como Granado e Fábula.
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