Polícia prende sobrinhos de Marcinho VP, acusados de integrar rede do CV

Sobrinhos de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, liderança máxima do Comando Vermelho, foram presos na Operação Cesura, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, nesta quinta. Segundo a polícia, eles faziam parte de uma rede de comunicação da facção criminosa e levariam recados ao tio, preso em Campo Grande (MS).
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Por decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão em Belford Roxo (RJ) e no Rio de Janeiro (RJ). A Justiça também decretou a prisão preventiva do líder da facção. O mandado foi cumprido na própria penitenciária, onde ele seguirá custodiado.
VP, mesmo preso em uma unidade de segurança máxima há 19 anos, continuaria exercendo a liderança da facção. Apesar de todo esse tempo atrás das grades, consta em investigações da polícia do Rio que ele segue ditando os rumos facção por meio de intermediários, como advogados e familiares. Da prisão, através dessas redes, ele emitiria ordens aos chefes da facção nas ruas e também nos presídios estaduais.
Este mês, Márcia Gama, a mulher de Marcinho VP, e Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal e irmão do MC Oruam, também foram presos. A Operação Backbone, da Polícia Federal, que investigou o monopólio imposto pelo Comando Vermelho (CV) sobre o fornecimento de internet em comunidades do Rio. Márcia é apontada em investigações anteriores como um dos elos de comunicação da facção entre o sistema prisional e integrantes fora dos presídios. Lucas, conhecido como Lucca, foi investigado por suspeita de administrar recursos financeiros ligados à lavagem de dinheiro do grupo.
Já a operação desta quinta, 29 de outubro, foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Ficco/MS) com o Grupo Nacional de Apoio ao Enfrentamento ao Crime Organizado do MPF (Gaeco Nacional). De acordo com a investigação, visitantes teriam levado ao “parlatório do presídio federal mensagens de integrantes da cúpula da facção em liberdade”. Entre eles está uma das principais lideranças da organização, foragida da Justiça.
“Em um dos episódios apurados, em janeiro de 2025, um dos investigados encontrou-se pessoalmente com essa liderança no Rio de Janeiro. No dia seguinte, viajou a Campo Grande, visitou o líder preso e, ao retornar, prestou contas sobre o recado transmitido. As visitas se repetiram com frequência até agosto de 2026, sempre em dias úteis e, em algumas ocasiões, com ida e volta no mesmo dia. Mensagens analisadas indicam ainda que integrantes da facção em liberdade continuam a reconhecer e tratar o custodiado como liderança atual da organização”, informa o MPF.
Outro dos investigados pela polícia é Fábio Silva, que segundo as investigações ocupa cargo comissionado e adquiriu patrimônio que, em princípio, “se mostra incompatível com a renda declarada”. Na eleição em que conquistou a vaga de vereador, Silva declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1.618.612. Entre os bens, estavam participações societárias, dinheiro em espécie, crédito pela venda de cotas de uma empresa e uma joia, quadro ou objeto de arte recebido por herança. Saiba mais sobre quem é o parlamentar.



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