A fama de especialista de Jorginho tem respaldo nos números, mas seu histórico ganha outra dimensão quando a cobrança acontece depois do apito final. Ao parar em Muslera na eliminação do Flamengo diante do Estudiantes, na semifinal da Libertadores, o volante perdeu pela quarta vez em uma disputa de pênaltis. Em 17 tentativas nesse tipo de desempate, converteu 13, um aproveitamento de 76,5%. Durante as partidas, incluindo prorrogações, o índice é de 86,7%: 52 gols em 60 cobranças.
O levantamento reúne suas 77 cobranças em competições oficiais profissionais até o confronto de quinta-feira, sem incluir categorias de base ou torneios amistosos de pré-temporada. No total, são 65 acertos e 12 erros. A separação importa porque as estatísticas de gols de pênalti durante os jogos não incluem as disputas, nas quais aconteceram algumas das falhas mais marcantes de sua carreira.
60 cobranças: 52 gols e 8 erros (Aproveitamento: 86,7%)
17 cobranças: 13 gols e 4 erros (Aproveitamento: 76,5%)
77 cobranças: 65 gols e 12 erros (Aproveitamento: 84,4%)
Antes de Muslera, outros três goleiros haviam frustrado o meio-campista em desempates: Buffon, Ederson e Pickford. Todos em finais. O italiano defendeu sua cobrança na Supercopa da Itália de 2014, entre Napoli e Juventus. O brasileiro fez o mesmo na decisão da Copa da Liga Inglesa de 2019, entre Chelsea e Manchester City. Já o inglês impediu que Jorginho encerrasse a final da Euro, disputada em julho de 2021.
O destino coletivo, porém, nem sempre acompanhou o erro individual. O Napoli superou a Juventus apesar da defesa de Buffon. Na Euro, Jorginho teve nos pés a cobrança do título, mas viu Pickford desviar a bola contra a trave. Logo depois, Donnarumma defendeu o chute de Saka e garantiu a conquista italiana. Pelo Chelsea e pelo Flamengo, as falhas fizeram parte de disputas que terminaram em derrota.
OS QUATRO ERROS EM DESEMPATES
2014 • Napoli x Juventus
Final da Supercopa da Itália – Buffon defendeu. Napoli campeão.
2019 • Chelsea x Manchester City
Final da Copa da Liga Inglesa – Ederson defendeu. Chelsea vice.
2021 • Itália x Inglaterra
Final da Euro – Pickford defendeu. Itália campeã.
2026 • Flamengo x Estudiantes
Semifinal da Libertadores – Muslera defendeu. Flamengo eliminado.
A diferença de 10,2 pontos percentuais entre os dois tipos de cobrança descreve o rendimento, mas não basta para concluir que Jorginho sucumbe à pressão. A amostra de desempates é de apenas 17 tentativas e inclui acertos decisivos. Cinco dias antes de perder na final da Euro, por exemplo, ele converteu a cobrança que classificou a Itália contra a Espanha. Também marcou nas duas finais domésticas que o Chelsea perdeu para o Liverpool em 2022, pela Copa da Liga e pela Copa da Inglaterra.
O recorte pela seleção italiana é o que mais destoa. Com a camisa da Azzurra, Jorginho converteu seis de dez cobranças, incluindo disputas. Os quatro erros foram consecutivos pela seleção: Inglaterra, na final da Euro; Suíça, duas vezes nas Eliminatórias da Copa de 2022; e Macedônia do Norte, na classificação para a Euro de 2024. Houve acertos pelos clubes entre essas partidas.
Inclui cobranças durante os jogos e desempates.
13 cobranças: 12 gols e 1 erro (Aproveitamento: 92,3%)
39 cobranças: 34 gols e 5 erros (Aproveitamento: 87,2%)
10 cobranças: 6 gols e 4 erros (Aproveitamento: 60%)
As duas falhas contra a Suíça tiveram peso na disputa pela classificação direta ao Mundial. Em setembro de 2021, Sommer defendeu a cobrança no empate por 0 a 0. Em novembro, Jorginho chutou por cima no fim do empate por 1 a 1, na penúltima rodada. A Itália acabou na repescagem, na qual seria eliminada pela Macedônia do Norte. Quando voltou a enfrentar os macedônios, em novembro de 2023, o volante perdeu outro pênalti, mas sua seleção venceu por 5 a 2.
Pelo Flamengo, a defesa de Muslera interrompeu uma sequência de 12 acertos, três deles em disputas: contra Atlético-MG e Estudiantes, em 2025, e Fluminense, em 2026. Já o gol diante do PSG, na final do Intercontinental, saiu durante a partida. Substituído, Jorginho não participou do desempate daquela decisão.
O histórico também mostra por que é necessário olhar além do resultado da cobrança. Contra a Udinese, em 2017, Jorginho teve um pênalti defendido por Scuffet, mas aproveitou o rebote para fazer o gol da vitória do Napoli por 1 a 0. A estatística registra corretamente um erro da marca da cal. Naquela tarde, porém, a jogada terminou com ele decidindo a partida.




