Documentário lançado no Legislativo revela censura na imprensa goiana durante a ditadura


A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), através da Assessoria Adjunta de Atividades Culturais, realizou na noite de sexta-feira, 4, o lançamento do documentário “Censura, Uma História Sem Fim 2″, dirigido pelo cineasta, jornalista e escritor Edson Nunes.

A obra é um registro vital que reaviva histórias, revelando como a censura moldou a comunicação goiana. O documentário surge como um marco no esforço de recuperar a história brasileira, com foco na censura que moldou os meios de comunicação durante o Regime Militar de 1964 em Goiás. O trabalho mostra como o estado vivenciou esse período, destacando a relação governo/imprensa diante de um cenário de repressão política. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo via Prefeitura de Anápolis.

No coração do filme estão os depoimentos de jornalistas, radialistas, escritores e outras personalidades do mundo da comunicação, que testemunharam ou vivenciaram direta ou indiretamente os efeitos da censura no período em Goiás. Entre os entrevistados, estão figuras como o historiador Itami Campos, os escritores Leda Selma, Luiz de Aquino e Miguel Jorge e jornalistas como Laurenice Noleto Alves (a Nonô), Valterli Guedes, Ulisses Aesse, Renato Dias entre outros, cujas histórias revelam as complexidades e as tensões da época.

“Essas vozes refletem tanto o impacto da repressão quanto a luta pela liberdade de expressão, oferecendo ao público um retrato vívido e profundo de uma era que ainda reverbera nos dias de hoje”, destaca Nunes.

Construção da obra

A busca por sobreviventes e testemunhas oculares, pessoas que pudessem trazer à tona memórias vivas de um tempo que muitos preferiram esquecer, demandou tempo e pesquisa extensa e foi um grande desafio para a produção. A ausência de um arquivo iconográfico estruturado, especialmente em Goiás, onde a falta de registros históricos dificultou a ilustração do contexto abordado, também foi outro ponto desafiador.

Para superar essas barreiras, a produção utilizou ferramentas de inteligência artificial para recriar cenários e melhorar a qualidade de vídeos antigos, contribuindo para a fidelidade histórica e a experiência visual da narrativa.

O filme traz uma análise do Regime Militar e de como a imprensa local, muitas vezes, se mostrou conivente ou omissa diante da censura. A ausência de registros adequados, fruto de negligência e falta de consciência histórica, é um dos aspectos mais perturbadores destacados pela produção. “O brasileiro não tem o hábito de preservar suas memórias quando elas extrapolam o âmbito privado e atingem o público. Isso é um problema sério, porque nos torna vulneráveis ao entendimento da nossa própria história, dos nossos empoderamentos e pertencimentos”, comenta o diretor.

Segundo Nunes, a produção é uma continuidade do “Censura, Uma História Sem Fim”, que tinha como recorte a censura feita às rádios Karajá e Santana, de Anápolis. A segunda parte foca nos demais veículos de comunicação do estado, com destaque para os sediados em Goiânia, onde a agitação política era mais efervescente.  

“Censura, Uma História Sem Fim 2” é mais do que um documentário: é um apelo à preservação da memória coletiva e valorização da liberdade de imprensa. Humilde em sua concepção, mas grandioso em sua missão, o filme busca contribuir para o fortalecimento da identidade regional/nacional e da consciência social.



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