O que é seagulling: não quer você, mas também não quer largar o osso

Tem gente que termina e vai embora.
Tem gente que termina, mas deixa um pezinho na porta.
E tem gente que termina, desaparece, vive a própria vida e, no exato momento em que percebe que você começou a viver a sua, reaparece com um:
“Oi, sumida…”
Coincidência?
Às vezes. Mas nem sempre.
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Esse comportamento ganhou um nome meio esquisito: seagulling. Gaivota em inglês e sim, não por acaso, como uma gaivota, a pessoa se aproxima, ronda, voa em torno, mas não necessariamente fica.
O que acontece afinal? Simples. A pessoa não quer necessariamente continuar o relacionamento, mas também não gosta nem um pouco da ideia de ver você seguindo em frente.
É quase um:
“Não quero, mas também não quero que ninguém queira.”
Bonito, né?
Só que não.
Quando a saudade aparece na hora certa demais
Quem nunca recebeu aquela mensagem depois de semanas de silêncio?
Você já tinha parado de olhar o celular, começado a sair, retomado a vida e talvez até conhecido alguém interessante.
Aí surge a criatura.
“Estava pensando em você.”
Curioso como pensou justamente agora.
Você responde. A conversa melhora. Aparecem lembranças, elogios, promessas meio vagas e até um ciúme que estava muito bem escondido.
Então você pensa:
“Ahá! Ainda gosta de mim.”
Pode até gostar.
Mas gostar não significa necessariamente querer voltar, assumir, mudar ou construir alguma coisa.
Às vezes, a pessoa gosta mesmo é de saber que ainda tem acesso a você.
E aí mora o problema.
Não quer namoro. Mas quer exclusividade.
O comportamento costuma ficar mais claro quando você observa as contradições.
A pessoa não quer compromisso, mas quer saber com quem você saiu.
Não quer voltar, mas fica incomodada quando você conhece alguém.
Não liga durante semanas, mas reaparece quando percebe que você está se afastando.
Quando você pergunta:
“Então o que nós somos?”
A resposta costuma ser uma obra-prima da enrolação.
“Não gosto de colocar rótulos.”
“Estou confuso.”
“Não quero perder você.”
“Vamos deixar acontecer.”
Traduzindo livremente: não quer assumir a cadeira, mas também não quer que ninguém sente nela.
É amor ou é ego?
Pode haver sentimento, claro.
Mas também pode haver medo de ficar sozinho, necessidade de atenção, ciúme, insegurança, vaidade ou simplesmente dificuldade de aceitar que alguém que já esteve disponível deixou de estar.
Para algumas pessoas, perder o relacionamento incomoda menos do que perder o lugar privilegiado que ocupavam na vida do outro.
E isso confunde muito quem está do lado de cá.
Porque cada reaparecimento parece uma nova chance.
Nem sempre é.
Às vezes é apenas uma conferida para saber se a porta continua aberta.
O perigo é ficar esperando
O maior problema do seagulling não é a mensagem inesperada.
É o efeito que ela provoca.
Você estava indo embora emocionalmente, a pessoa reaparece, reacende esperança, você para novamente… e fica esperando.
Passa um mês.
Dois.
Seis.
A vida amorosa estacionada enquanto o outro decide se quer você, se não quer, se talvez queira ou se só não quer que você seja de mais ninguém.
Convenhamos: é uma espera longa demais para quem nem sequer comprou passagem.
Como saber se você entrou nessa?
Observe menos as declarações feitas quando você ameaça ir embora e mais o comportamento da pessoa quando tem certeza de que você continua ali.
Ela só demonstra interesse quando você se afasta?
Fica ciumenta, mas foge quando você fala em compromisso?
Volta cheia de amor e desaparece assim que percebe que reconquistou sua atenção?
Promete mudança toda vez que você desiste, mas depois tudo continua igual?
Então talvez a pergunta não seja:
“Será que ainda gosta de mim?”
Talvez seja:
“Essa pessoa quer estar comigo ou só não quer me perder?”
Porque são coisas muito diferentes.
Todo mundo tem direito de ficar confuso.
Todo mundo pode precisar de tempo.
Só não vale usar alguém como estacionamento emocional enquanto decide o que fazer da própria vida.
E, se você perceber que está parada há tempo demais esperando uma resposta que nunca vem, talvez a resposta já tenha vindo.
Só faltou você escutar.
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