Porta-voz da Casa Branca não passou na prova de ordem de advogados e se envolveu com 'esquema de pirâmide'

Desde que foi apontada neste mês como nova secretária de Imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia vem tendo o seu passado investigado pela imprensa dos EUA. Parte do passado até foi apagado por ela, que retirou das suas redes sociais fotos em que aparecia de biquíni.
Descobertas sobre o currículo da porta-voz têm tido grande destaque na mídia. Uma das principais foi que, apesar de ter sido anunciada por Donald Trump como advogada, Katie não conseguiu passar na prova da Ordem de Advogados da Califórnia, conforme noticiaram o The “Wall Street Journal” e a “Wired”.
Na quarta-feira (14/10), a organização de fiscalização Campaign for Accountability apresentou uma denúncia à Ordem dos Advogados da Califórnia olicitando a investigação da veracidade das alegações de que Katie seria efetivamente advogada. Sabe-se que ela estudo Direito na Universidade Pepperdine, na Califórnia, onde se formou em 2011.
Além disso, outro detalhe descoberto sobre a sucessora de Karoline Leavitt causou estranheza na mídia: na lacuna do seu currículo entre 2013 e 2023, Katie foi afiliada da Beachbody, uma empresa de fitness que conduzia uma operação de marketing multinível que ela descreveu à “Wired” como “uma espécie de esquema de pirâmide”.
Katie afirmou que, na verdade, atuava como afiliada da Beachbody após seu retorno da China, em 2013 — ela foi sócia no escritório de advocacia Zhong Lun, conhecido na China como um escritório de elite, entre 2011 e 2013. Ela relata ter sido convidada por uma amiga e ter promovido o produto Shakeology, comercializado como um “shake nutricional à base de superalimentos”. Segundo ela, parou de usar e promover o produto devido ao seu teor de vitamina A, que ela considerava inadequado para o período em que estava grávida.
A Beachbody, hoje denominada BODi, confirmou em comunicado que Katie fazia parte de seu grupo de 300 mil “distribuidores independentes da Team Beachbody” em 2013.
Katie Zacharia desembarca do Air Force One no Alasca
AFP
Como era de se esperar de uma empresa que, por décadas, baseou seu modelo em um esquema de marketing multinível, a companhia enfrentou diversos problemas jurídicos ao longo dos anos. Ela foi acusada de fazer propaganda enganosa sobre um suposto tratamento antienvelhecimento revolucionário (o processo foi encerrado por desistência da parte autora) e de apresentar promessas falsas ou enganosas de ganhos financeiros aos seus colaboradores. A empresa também se envolveu em uma disputa por direitos autorais contra o site orderlegalsteroids.com, acusando-o de utilizar indevidamente uma imagem do fisiculturista israelense Sagi Kalev, que constava em materiais promocionais do programa “Body Beast”.
Em 2017, a Beachbody — sem admitir qualquer irregularidade — firmou um acordo em um processo de proteção ao consumidor movido pela procuradoria municipal de Santa Monica (Califórnia). Os promotores alegaram que a Beachbody fazia alegações sobre os benefícios à saúde de seus produtos, incluindo o Shakeology, que eram “falsas, enganosas e desprovidas de comprovação científica”. Além disso, os autos do processo indicam que a empresa realizava cobranças automáticas nos cartões de crédito dos clientes, referentes à renovação de produtos, sem o devido consentimento. Como parte do acordo, a Beachbody foi condenada a pagar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) a organizações sem fins lucrativos voltadas à promoção da saúde e da nutrição.
Katie Zacharia no Air Force One
AFP
Já em 2023, a Beachbody tornou-se alvo de uma ação coletiva sob a acusação de aplicar golpes contra seus consultores. A autora principal da ação era uma professora que alegou ter ingressado na Beachbody com a esperança de obter uma renda complementar, mas acabou desembolsando US$ 20 mil (R$ 100 mil) de recursos próprios para cobrir despesas relacionadas à sua função de consultora, enquanto ganhava cerca de US$ 50 (R$ 100) por mês por aproximadamente 50 horas de trabalho. No ano seguinte, a empresa abandonou seu programa de marketing multinível (pirâmide) em favor de um modelo de “afiliados de nível único”.
Antes de integrar a equipe de imprensa da Casa Branca, ela foi porta-voz do Departamento de Segurança Interna, assessora de comunicação na empresa de mídia de Trump e comentarista com viés conservador na Newsmax e na Fox News.



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