“Já vivi minha própria guerra fria”. A frase é de Maria Eduarda Campopiano, votada por quase 2 milhões de eleitores que a transformaram em deputada estadual pelo PL em Sâo Paulo, aos 23 anos. Quando travou sua batalha, ela ainda não conhecia o bolsonarismo, do qual, não só se tornou adepta, mas uma de suas maiores propagadoras, dentro do que prega a extrema-direita.
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Até 2018, Eduarda defendia pautas LGBTQIA+, considerava as mulheres o sexo forte, tinha um posicionamento feminista e até concordava com a legalização do aborto. Até então, segundo a própria publicou no antigo Twitter, nunca tinha pisado numa igreja e não se considerava cristã de forma alguma.
Os pés foram colocados numa igreja católica em 2023, um ano antes de ser eleita vereadora por Praia Grande, litoral paulista, com 3.583 votos. A ascensão da jovem foi tão rápida quanto a velocidade com que trocou a cor o cabelo entre a infância e a fase adulta.
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Ele já foi azul, verde, verde e lilás, azul e castanho, rosa, vermelho e preto, só vermelho… Este último, inclusive, deu origem a Dudinha, uma boneca de pano confeccionada pela mãe Débora, artesã, que se inspira nos modelos russos para vender seus produtos.
Eduarda Campopiano e a boneca inspirada nela
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O pai foi vendedor e dirigiu caminhão, e hoje faz bicos como faz tudo, como divulga em suas redes sociais, nas quais enaltece a filha e escancara o ódio pela esquerda. A católica Eduarda, devota de Nossa Senhora Aparecida, é filha de pais separados.
Este ano, antes de se tornar a deputada mais votada de São Paulo, ela ficou noiva de Kauã Rosemberg, de 21 anos, lutador amador de MMA. Eduarda e o futuro marido com quem deseja ter “quantos filhos Deus quiser mandar”, costumam ir à missa juntos, amam um rolê de moto, cada um tem sua Harley Davidson avaliada entre R$ 50 mil e R$ 80 mil, apreciam tatuagens, rock e camisetas de banda, como a que usou do Angra e irritou bastante o ex-baterista.
Eduarda Campopiano
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Eduarda é representante das mulheres que não acreditam em feminicídio, defendem a submissão aos homens, acham que o feminismo não contribuiu com absolutamente nenhuma causa feminina e dizem não ao aborto mesmo em casos de estupro. A deputada gosta de narrar sua própria história como protagonista da sobrevivência.
“Eu teria sido abortada, sabiam? Quando minha mãe engravidou, meus pais não tinham planejado bebê nenhum. Além disso, minha mãe já estava em idade avançada (37 anos) e com hepatite C. Meus pais estavam passando pelo pior momento financeiro da vida. Considerando a situação, todos recomendavam que minha mãe fizesse um aborto. O famoso ‘até os 3 meses não tem problema’. Ela sempre disse não. (…) Por volta dos 4 meses, médicos sugeriram que ela fizesse um aborto. Até meu pai chegou a cogitar a hipótese por um tempo. Conforme a gravidez foi se complicando, os médicos diziam que eu estava pequena demais para a idade gestacional. No fim, nasci com 42 semanas de gestação, peso e tamanho normais (51cm e 3,3kg), sem nenhum tipo de condição especial e perfeitamente saudável”, compartilha ela num de seus posts no perfil, do Instagram.
Eduarda Campopiano no colo do pai e da mãe
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Quando não está militando ao lado de expoentes do PL, como Nikolas Ferreira, Eduarda gosta de atirar. Aprendeu em clubes de tiro e se tornou armamentista também. Livros anti-feministas fazem parte de sua coleção de cabeceira e as redes sociais são seu palanque virtual.
Eduarda Campopiano
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Em perfis antigos que já teve pelo Twitter, por exemplo, ela parecia uma adolescente quase rebelde, reclamando da escola, dos meninos que pareciam diferentes, mas depois sumiam, das garotas mais populares e até da avó. O passatempo preferido era seu Xbox, que não foi abandonado quando se tornou de Direita e tomou cloroquina contra Covid-19, dizendo não às vacinas:
“Sou transvacinada. Me identifico como vacinada num corpo não vacinado”.
Eduarda Campopiano
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Eduarda Campopiano e o noivo Kauã Rosemberg
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Recordista de voto em SP, Eduarda Campopiano já defendeu feminismo, teve visual rebelde e cabelos coloridos




