Venda da SAF do Vasco a Lamacchia: Qual é o próximo passo? O que falta?

A negociação entre Vasco e a Almirante Participações, do empresário Marcos Faria Lamacchia, está perto de um desfecho. Na noite de terça-feira, o Conselho Deliberativo do clube aprovou, em duas votações, uma alteração no estatuto que reduziu a fatia societária associativa do clube a 10% e a aprovação à proposta da Almirante pela compra da SAF. Agora, o passo derradeiro é a Assembleia Geral.
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O que é a assembleia geral?
A assembleia geral é a votação entre os sócios estatutários, o mesmo processo da eleição para a presidência do clube. A aprovação da mudança do estatuto e da venda depende de maioria simples.
No último dia 2, o clube divulgou a lista de sócios aptos a votar. Ainda não há data oficial para a votação, que estava prevista para o dia 24. Mas ela deve ser alterada, uma vez que o cruz-maltino enfrenta o Corinthians, pelo Brasileirão, neste mesmo dia.
E depois?
Se a venda for aprovada, o caminho fica livre para a conclusão da operação e a assinatura do contrato. Resolvidos os trâmites burocráticos e jurídicos, começam a valer as obrigações do clube (transferência de ações) e da Almirante (investimentos). A empresa de Lamacchia também passará a ter o controle e decisões no futebol.
O negócio ainda pode ser submetido a recomendações e (ou) determinações da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que acompanha a negociação desde o início. À Justiça, o clube garantiu que não há chances do posicionamento da Anresf mexer com a efetivação da venda.
Em 2022, quando o clube acertou a venda de sua SAF à 777 Partners, antiga sócia, o intervalo entre a assembleia geral e o início da nova gestão foi de pouco menos de um mês. Dado o avanço dos trâmites da atual negociação, a tendência é que o processo seja ainda mais rápido desta vez.
O que muda no futebol?
Como a janela de transferências já está fechada, a gestão Lamacchia terá pouco espaço de manobra no futebol em 2026. A principal mudança deve ser na perspectiva financeira, já que parte das obrigações de investimento envolvem um aporte de R$ 500 milhões no futebol, o pagamento de dívidas (incluindo a estrutura de pagamento da recuperação judicial) e a cobertura do déficit de caixa nos primeiros cinco anos.
Na prática, a perspectiva é que o Vasco deixe para trás os períodos de apertos e incertezas financeiras, que levaram o clube a recorrer a empréstimos em algumas oportunidades. Em 2027, por outro lado, a influência do novo investidor e de sua equipe terá total espaço para transparecer.
Quais podem ser os primeiros passos da gestão?
Assim como vários clubes brasileiros, o Vasco vive uma indefinição sobre sua patrocinadora máster após a proibição das bets no Brasil. O clube tem contrato com a Sportingbet até o fim de 2027, mas já foi notificado que pode haver rescisão. A marca também não aparece mais no uniforme, em conformidade com a legislação. A questão comercial, portanto, deve ser uma das prioridades nesse primeiro mês de gestão.
Outro tema importante é a reforma de São Januário. Ainda que o estádio siga com a associação, é um tema que interessa diretamente ao futebol. As conversas pela possível aquisição do potencial construtivo, que renderia os recursos das obras, esfriaram ao longo do ano. Associação e SAF precisarão voltar a sondar o mercado para retomar os trâmites.
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