Após uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no Rio, a Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou mudanças nas rotas usadas por helicópteros em voos visuais na cidade. A partir de novembro, duas Rotas Especiais de Helicópteros (REHs) serão canceladas, enquanto uma terceira será deslocada para mais longe do continente.
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Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), serão canceladas a REH Boa Vista e a REH Cristo (até a posição Caiçara), ambas tradicionalmente muito utilizadas por voos turísticos. Essas alterações atingem áreas do Alto da Boa Vista, nas proximidades do Cristo Redentor e da Floresta da Tijuca.
Já a REH Praia será afastada do continente e terá suas dimensões laterais ampliadas. Na prática, os helicópteros que usam esse corredor sobre o mar passarão a voar mais distantes da costa.
As rotas canceladas incluem a região da Vista Chinesa, onde um helicóptero que fazia um voo panorâmico caiu no último dia 8 de agosto. O acidente matou o piloto e três turistas colombianas. Em 14 de junho deste ano, dois helicópteros já haviam colidido no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, deixando seis mortos, entre eles o cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspar Prim.
Para Rolland de Souza, médico, piloto e coordenador da pós-graduação em Medicina Aeroespacial da Escola Superior do Ar, a decisão de rever as rotas é prudente diante da sequência de ocorrências:
— Tivemos um número inaceitável de acidentes aéreos com helicópteros no município em um intervalo muito curto de tempo. Isso não é normal. Acredito que foi tomada a decisão correta. Na dúvida, o certo é suspender tudo preventivamente até que se tenha uma resposta confiável sobre as causas desses acidentes.
‘Estradas no ar’
Ele explica que as REHs funcionam como corredores definidos para organizar o tráfego dos helicópteros em voo visual. Segundo ele, as rotas estabelecem trajetos e pontos de referências que permitem que pilotos e controladores saibam onde as aeronaves estão, ajudando a manter a separação entre elas. A REH Boa Vista, por exemplo, tem as pedras Bonita e da Gávea como alguns dos pontos de referência.
— É uma espécie de estrada no ar. Dessa forma, todos os helicópteros seguem o mesmo caminho e respeitam altitudes predeterminadas para evitar colisões em voo — esclarece o especialista.
O Decea, por sua vez, afirma que as alterações estão dentro de suas competências. “O Decea, sob suas competências, reafirma o seu compromisso com a segurança e a fluidez da navegação aérea”, ressalta em nota.
As mudanças ocorrem em meio a uma antiga cobrança de associações de moradores da Zona Sul e de outras entidades civis pelo endurecimento das regras para voos turísticos de helicópteros. Em agosto, uma manifestação foi realizada no heliporto da Lagoa com o mote “Rio Livre de Helicópteros Sem Lei”. O movimento de mesmo nome pedia o fim dos voos em áreas residenciais e fiscalização mais rigorosa das empresas responsáveis por passeios panorâmicos, para evitar acidentes como o que matou quatro pessoas perto da Vista Chinesa.
Além do risco, barulho
Na ocasião, Vera Maurity, uma das articuladoras do movimento e membro da diretoria da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Botânico (AMAJB), destacou problemas enfrentados.
— São centenas de milhares de moradores impactados pela poluição sonora — disse à época.
A Associação dos Moradores da Urca (Amour) afirma que o grupo não é contrário à atividade turística, mas critica a insegurança e o excesso de barulho provocados pelos voos. Em postagens em seu perfil no Instagram, a Amour relata que pede a restrição de voos de helicóptero em áreas residenciais há décadas. Em 2024, após uma representação apresentada ao Ministério Público Federal, participantes do movimento integraram as discussões que resultaram em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com empresas que fazem voos turísticos.
O acordo estabeleceu regras como limites de altitude, distanciamento do Cristo Redentor, proibição de voos pairados e procedimentos destinados a diminuir o impacto das aeronaves sobre áreas residenciais. Porém, segundo a Amour, as medidas não foram suficientes.
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Entenda a mudança nas rotas de helicópteros no Rio definida pela FAB: 'são estradas do ar', diz especialista



