O PSD elegeu nove deputados estaduais para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Para além de quadros antigos do partido, como os deputados Claudio Caiado e Luiz Paulo, reeleitos, dois novos nomes chamam a atenção na casa.
Uma das candidatas é Joyce Trindade (PSD), eleita deputada estadual com 37.088 votos. Da Zona Oeste da capital, Joyce foi Secretária Especial de Políticas e Promoção da Mulher na gestão de Paes na prefeitura do Rio. Com forte pauta voltada à emancipação feminina e à segurança das mulheres, o apoio eleitoral a Joyce vai desde jovens eleitoras até mães chefes de família. Em 2020, Joyce foi a 10ª candidata mais votada na cidade, com mais de 30 mil votos. Ao alcançar cadeira na Alerj, a candidata expande sua base eleitoral e vira nome importante do PSD Rio e da bancada feminina na casa legislativa do Estado.
O monitoramento da campanha no Instagram da candidata evidencia uma série de caminhadas, encontros e rodadas de conversas com eleitoras fluminenses. Em vários desses eventos de campanha, Joyce surge ao lado da deputada federal, Laura Carneiro, também do PSD, mas que não se reelegeu.
Outro eleito para a ALERJ foi João Pires, com 90.195 votos— o candidato a deputado estadual do PSD mais bem votado. Mais um dos nomes “jovens” do PSD, Pires, foi secretário de Defesa do Consumidor da gestão Paes na capital. Com forte atuação territorial na cidade de São Gonçalo, a campanha eleitoral de João Pires foi marcada pelo tema do combate à “máfia” dos postos de gasolina.
Plenário da Câmara dos Deputados durante votação
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
PL do Rio consolida forte bancada na Câmara dos Deputados
Altineu Cortes lidera como um dos deputados federais do PL mais bem votados, com 175.161 votos. Em seguida, há importantes quadros do partido, tais como Sóstenes Cavalcante, General Pazuello e Soraya Santos. Todos tiveram mais de 100 mil votos nominais.
Em comum, todos os candidatos são a representação do bolsonarismo no estado, assim como suas respectivas reeleições indicam a manutenção e expansão do poder político e da capilaridade territorial do PL, e de forte atuação com os entes da família Bolsonaro.
Além disso, suas respectivas campanhas eleitorais – sobretudo aquela realizada de forma online nas redes sociais– exaltavam constantemente a figura do candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), e do candidato a governador, Douglas Ruas (PL). Já os principais temas que foram discutidos envolvem, sobretudo, segurança pública e a pauta moral, como defesa dos valores cristãos e da ‘família’.
Entre quadros históricos da política fluminense, um ‘novato’ se destaca
Rick Azevedo, do PSOL – o segundo candidato a deputado federal mais votado no estado do Rio de Janeiro–, é um novato na Câmara Federal. Eleito com 191.371 votos, Rick lidera o ranking de campeões de votos no estado ao lado de nomes tradicionais da política fluminense, como Dr. Luizinho (PP), Lindbergh Farias (PT) e Altineu Cortes (PL).
O primeiro cargo eletivo de Rick Azevedo foi como vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, eleito nas eleições municipais de 2024. O candidato criou o “Movimento Vida Além do Trabalho” (VAT), que busca pautar e aprovar o fim da escala de trabalho 6×1.
Em relação às estratégias de campanha de Rick Azevedo, o monitoramento das redes sociais do candidato mostra um foco temático específico: a escala 6×1, e uma atuação em dois níveis: online, com forte atuação nas redes sociais (no Instagram, o perfil de Rick acumula mais de meio milhão de seguidores); e nas ruas, marcada por caminhadas e conversas em áreas comerciais do Rio, em especial junto a lojistas e varejistas em diferentes partes da capital.
Abstenção na capital alcança 23,3% no 1º turno das eleições
Ao longo da campanha eleitoral, Paes evitou uma associação mais direta com a figura do Presidente Lula (PT). Embora a Federação “Brasil da Esperança” (formada pelo PT) esteja presente na coligação de Paes, Flávio Bolsonaro (PL) liderou as pesquisas de intenção de voto para presidente no estado do Rio de Janeiro. A preocupação residiu na existência de um voto “BolsoPaes” – ou seja, eleitores que votam em Flávio para presidente e em Paes para governador.
Ao longo da campanha, Paes participou de comícios ao lado de Pedro Paulo – o candidato a senador do PSD – e Benedita da Silva, também candidata ao Senado, pelo PT.
Os resultados eleitorais do 1º turno indicaram que tanto Flávio quanto Ruas lograram o primeiro lugar. Para a campanha do segundo turno – que já começa agora–, a figura de Paes para a campanha de Lula no estado do Rio pode ajudar o presidencial, embora o inverso possa não ocorrer devido ao histórico bolsonarista no estado. Reside o questionamento: Paes participará do palanque de Lula? Ou a estratégia de campanha de Paes será se desvincular da campanha presidencial buscando eleitores de ambos os polos?
Abstenção na capital alcança 23,3% no 1º turno das eleições
Para além dos deputados federais e estaduais, o resultado que chamou a atenção no Rio de Janeiro foi a quantidade de eleitores que se abstiveram do pleito. Só na capital do Rio – o maior colégio eleitoral do estado–, mais de 1,2 milhões de eleitores (26,16%) não compareceram para votar neste domingo (04/01).
A abstenção eleitoral é um fenômeno que indica um descontentamento eleitoral ou um descrédito com a política. O não comparecimento pode revelar, em algum grau, o sentimento de desilusão e desesperança dos eleitores frente às eleições e, de maneira mais ampla, a capacidade da política governamental de solucionar e resolver as demandas dos cidadãos.
Embora durante a campanha eleitoral os candidatos tenham discutido diferentes temas que afetem diretamente a vida dos cariocas – sobretudo a segurança pública e a mobilidade urbana, como informa o monitoramento do Tamo Junto na capital–, o elevado percentual de abstenção pode indicar a necessidade das campanhas de mobilizar parte dos eleitores que não foram às urnas, em especial no segundo turno.
*Isabel Uchôa, Júlia Pereira, Niara Retana, Pedro Bahia e Vítor Medeiros – Pesquisadores que integram o Lappcom, sob a supervisão de Marcelo Remigio
PROJETO TAMO JUNTO: É uma parceria do EXTRA com o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em que jornalistas e pesquisadores focalizam o processo eleitoral deste ano em sete regiões do Estado do Rio de Janeiro, abordando problemas, apontando soluções e apresentando propostas dos planos de governo dos principais candidatos.
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