“São biografias de escravizados do século XIX, homens e mulheres que realmente existiram, e para os quais construí biografias que chamo de imaginadas. Não porque sejam fantasiosas, já que procuro reconstruir essas vidas a partir de uma extensa documentação, mas ao querer mostrar sobretudo o que esses escravizados sentiam, como eles percebiam o mundo, as emoções que expressavam, ou seja, suas formas de pensar o mundo na afrodiáspora (o Brasil), tive que também preencher lacunas com a imaginação. O propósito não é dar a eles vozes (quem somos nós?), mas deixar que eles falem de suas próprias vidas, de seus modos de pensar de maneira complexa e, sobretudo, seus sentimentos, suas alegrias, seus desejos, suas lutas que ecoam do passado até o futuro, o nosso agora”, resume Marialva Barbosa.




