A primeira mulher a ser condenada à morte no Tennessee em mais de 200 anos comparou-se a Lindsay Clancy, afirmando sentir uma “afinidade” com a mulher que foi julgada por ter matado os três filhos (Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses) — o julgamento foi anulado no início de setembro após os jurados não chegarem à unanimidade (apenas um deles não concordou com a absolvição).
Christa Pike, hoje com 50 anos, e o seu então namorado, Tadaryl Shipp, com a ajuda de uma amiga, Shadolla Peterson, espancaram e torturaram até a morte Colleen Slemmer, de 19 anos, que ela via como uma “rival amorosa”.
Às vésperas da sua execução, marcada para quarta-feira (30/9), ela fez a comparação com Lindsay, contou o “Metro”. O governador do estado, o republicano Bill Lee, decidiu não intervir na sua última tentativa de obter clemência.
Ao falar sobre como o caso colocou em evidência os problemas de saúde mental de Lindsay, Christa declarou:
“Nós duas somos mulheres que enfrentaram problemas devido a questões especificamente femininas. Uma coisa que é diferente, no entanto, é que os tempos mudaram muito em relação à conscientização sobre questões femininas desde a época em que fui julgada.”
Patrick Clancy se separou de Lindsay após ela matar os três filhos do casal nos EUA
Reprodução; AFP
Ela acrescentou que, se estivesse sendo julgada hoje, acredita que os jurados poderiam ter demonstrado mais compreensão, dado que “a ciência sobre o desenvolvimento cerebral evoluiu” — e afirmou que o fato de seu cúmplice ser negro também pode ter influenciado a pena que recebeu.
“Embora o racismo não tenha desaparecido, ele diminuiu um pouco. Acho que fui julgada com mais severidade por causa do meu relacionamento com Tadaryl”, argumentou a condenada.
Embora Lindsay não negue ter matado os filhos, estrangulando-os com uma faixa elástica de exercícios no porão de casa, sua defesa alegou que ela estava em estado de psicose pós-parto no momento dos crimes e, portanto, não era criminalmente responsável por seus atos.
O crime de Christa
Já a condenada tinha apenas 18 anos quando atraiu Colleen Slemmer, de 19 anos, para um local isolado no campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville. Lá, em um ataque de ciúmes e com a ajuda de seu namorado, ela torturou a “rival amorosa” até a morte em 12 de janeiro de 1995.
O casal de namorados havia levado um pedaço do crânio de Colleen, uma migrante da Flórida que tentava a vida no Tennessee, como “lembrança” do crime bárbaro.
Christa temia que Colleen estivesse tentando “roubar o seu namorado”, o que a levou a orquestrar o crime contra a “rival amorosa”, disse a promotoria. Tadaryl teria concordado em participar para mostrar a sua fidelidade.
Os advogados de Christa solicitaram à Suprema Corte a suspensão da execução, citando o sofrimento dela com transtorno de estresse pós-traumático e o possível “sofrimento mental severo e terror psicológico adicional” decorrentes de ser amarrada a uma maca para receber a injeção letal.
Por causa de abusos sofridos desde a infância, Christa pediu que todos os envolvidos na sua execução fossem mulheres. O pedido não deverá ser atendido. Depois, a americana, dizendo estar “aterrorizada” com o processo de injeção letal, solicitou que fosse executada por enforcamento. O método, entretanto, não é usado no Tennessee desde o início do século passado.
(Da esqueda para a direita) Christa Pike, Tadaryl Shipp e Shadolla Peterson à época do crime
Reprodução
Colleen Slemmer
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“Não acho que ela deva receber qualquer tratamento especial”, declarou May Martinez, mãe de Colleen, ao “Daily Mail”, acrescentando que “ela [Christa] não levou em conta como minha filha se sentia e está apenas tentando tirar vantagem do sistema”.
Tadaryl recebeu sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. No entanto, ele foi condenado posteriormente em 2004 por tentar estrangular outro detento durante uma briga na prisão, o que acrescentou 25 anos à sua pena. Na prisão, ele se converteu ao islamismo.
Shadolla, a outra comparsa, recebeu liberdade condicional após se tornar informante no caso do Estado contra Christa e Tadaryl.
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Condenada que deverá ser a primeira executada desde 1819 em estado dos EUA diz ter 'afinidade' com mulher que matou os três filhos



