Governo marca reunião com clubes para discutir futuro do futebol brasileiro após proibição das bets


O Governo Federal marcou uma reunião com clubes e federações estaduais, na próxima terça-feira, para discutir o futuro do futebol brasileiro após a Medida Provisória (MP), anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sexta-feira, que proibiu as bets no país. A intenção é ouvir os representantes e fazer um diagnóstico dos impactos provocados pela decisão.

O Ministério do Esporte enviou um ofício a Samir Xaud, presidente da CBF, solicitando a presença dos representantes do futebol brasileiro após a reação negativa à MP. O encontro, articulado pelo ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro, terá como tem central “o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro, buscando promover o diálogo institucional, e a construção conjunta de iniciativas voltadas ao desenvolvimento e ao fortalecimento do futebol nacional”.

O governo deve ouvir as demandas dos clubes e avaliar alternativas para reduzir impactos e possíveis prejuízos decorrentes do fim dos acordos com as casas de apostas esportivas. Eventuais medidas de apoio serão avaliadas posteriormente.

A decisão do governo provocou reação entre os clubes. Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de rompimento de contratos de patrocínio, o que levou dirigentes a alertar para dificuldades em honrar compromissos financeiros nos próximos meses.

Dos 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 têm contratos de patrocínio master com casas de apostas. O mercado movimentará cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026, mesmo patamar da última temporada. Em 2024, 18 dos 20 times da primeira divisão tinham marcas do segmento estampadas nos uniformes, em um mercado que movimentou cerca de R$ 523 milhões naquele ano. Além disso, as bets passaram a ocupar os naming rights dos principais campeonatos nacionais.

Por outro lado, levantamento do GLOBO mostra que nenhum contrato envolvendo bets representa mais do que 13% de algum orçamento de participante do campeonato. E os clubes da Série A têm apenas cerca de 7% das receitas oriundas de patrocínio de bets.



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