Garotinho nega 'tapetão' contra inelegibilidade e lembra de briga de família: 'Tenho dez filhos, me dou bem com nove'

Já faz 24 anos desde a última vez que Anthony Garotinho (Republicanos), foi governador do Rio. O radialista (ou melhor: repórter investigativo, como prefere) tem presença marcante nas redes sociais: seus adversários costumam ser os alvos. Euzinha estive no seu escritório, na Glória, há duas semanas, onde Garotinho abriu o verbo sobre as relações, seja com colegas, adversários e filhos. Na ocasião, ainda previu que voltaria a ter a candidatura barrada — como fez o Tribunal Regional Eleitoral dois dias depois, decisão da qual recorre —, mas negou apelar ao “tapetão”.
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Vem na Feira da Glória aos domingos?
A que frequento é quinta-feira, aqui (na Rua Conde de Lages). Não tem uma quinta que a gente não compre tapioca
Campos: goiabada cascão ou chuvisco?
Gosto do chuvisco em calda, feito pela doceira. Gosto dos dois, mas meu ponto fraco mesmo é chocolate.
Chocolate Garoto é canibalismo?
(Risos) Gosto de todos, chocolate é comigo mesmo. Durmo com a barra de chocolate do lado. Se eu não comer, não durmo. O pessoal fala “Mas engorda”, e digo: “É melhor que tomar rivotril”.
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Nem toma remédio?
Para dormir, não. Mas tomo pelo menos 14 vitaminas de manhã. Tenho uma caixinha com 35 medicamentos, mas não tomo todos de vez. Vario.
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É hipocondríaco?
Não, isso me dá muita energia. Tenho 66 anos, e muito garoto não tem a minha disposição para trabalhar.
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Ser Garotinho vai ajudar a se entender com o El Niño?
Não acredito em místicas. Essa história de contratar a Fundação Cacique Cobra Coral para fazer chover, diminuir chuva, é uma bobagem. Tem é que estruturar áreas que não deveriam nem ter sido ocupadas, para evitar problemas.
Hoje é mais influencer do que político?
Sou repórter investigativo. Comecei no rádio como locutor de corrida de cavalo, daí fui para o futebol. E, numa eventualidade, fiz o programa de um amigo que adoeceu, que explodiu de audiência. Uma matéria investigativa que fiz acabou gerando minha primeira eleição. Na época, o maior ladrão de cargas do interior, Napoleão, foi preso. Queria entrevistá-lo e disse: “Acho que você vai morrer, porque sabe demais”. Teve um acordo: dava a entrevista, mas só podia usar se ele morresse. Entregou os destinatários dos roubos. Na manhã seguinte, foi encontrado morto, enforcado na cela. Quando acabei (de exibir) a entrevista, disse: “A versão da polícia não é crível”. Ganhei uma credibilidade enorme.
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Também sabe demais. Tem medo de morrer?
Tenho não. Acho que sei mais do que outros repórteres. Mas tem bons repórteres. Parti para a internet: foi bom, porque ganhei linguagem nova, um público novo e associou a palavra à imagem.
Se eleito, as auditorias sairão em lives?
Não. No Instagram e no meu e-mail recebo 20 denúncias por dia. Se tivesse uma equipe grande, poderia fazer muito mais. Tentaram me calar, me prenderam com um folclore que tinha trocado voto por cheque. Mesmo preso, passava matéria (para a imprensa). Viram que não tinha jeito e fizeram a maior covardia de todas: prenderam Rosinha, que ficou poucos dias. Fiquei 29, somando as quatro vezes (prisões). O Brasil tem uma prática: tornar o denunciante um denunciado, para tirar sua credibilidade.
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Fala que presídio não pode ser escritório do crime. Pelo que viu lá, é isso mesmo?
Hoje está pior. O Rio tem três escritórios do crime: o Palácio Guanabara, a Assembleia (Legislativa) e os presídios. O mais perigoso é o Palácio Guanabara.
Cheque Cidadão: está desatualizado? Não está na hora de ser o Pix Cidadão?
Não. Quando o Lula lançou Fome Zero, foi aquele fracasso. Aí pegaram o meu programa e batizaram de Bolsa Família, mas não cuidaram de fiscalizar. Hoje, usam com bet, droga e, para a finalidade do programa, sobra pouco. Vamos retornar ao modelo antigo: (o benefício) será distribuído pelo serviço social das entidades religiosas. Tem que prestar conta.
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Até outro dia a TV tinha o “Casos de Família”. Acha que sua briga com seu filho Wladimir Garotinho caberia lá?
Não conheço o quadro. Mas eu e meu filho temos posições bem diferentes. O que aconteceu, aconteceu. Mas um dos casos foi quando ele (então prefeito de Campos) perdeu o controle da Câmara e fez uma aliança com a família Bacellar. Não aceitei. A gente fala, vamos dizer, como pai e filho. Não é assunto político, são comportamentos que não concordo. Não gostaria que fosse assim. Tenho 10 filhos, e me dou bem com os nove.
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Achei um erro. Foi eleito para um mandato de quatro anos como prefeito, qual o sentido disso?
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José Carlos Araújo (Garotinho) conta que você tentou proibi-lo de usar a marca que ele próprio havia registrado. Foi inveja?
Pelo contrário. Ele moveu um processo contra mim, porque se dizia detentor da marca “Garotinho”. Na audiência, que ele perdeu, o juiz disse: “O ‘Garotinho’ dele (Anthony) é nome, que trocou no registro civil lá atrás”. Aí ele começou de birra, diz ser “o verdadeiro Garotinho”.
Achava até que pudesse ser Garotinho por causa dele.
É um cara muito vaidoso. Agora, ele está com 86. Eu, com 66. Não tem jeito: biologicamente, o garotinho sou eu (risos).
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E por que “Garotinho”?
Era um recurso de locutores, quando não sabiam direito o nome do jogador. Quem usava muito era o Osmar Santos.
Ainda falando no seu xará, qual “golão” do Flamengo é seu favorito?
Todo gol do Flamengo para mim é bonito. Mas meu ídolo na locução esportiva não é o José Carlos Araújo. O maior que conheci foi o Jorge Curi.
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Tem uma novela envolvendo sua inelegibilidade. O cerne da questão é o cálculo de quando teria começado a valer esse prazo. Cogita recorrer ao “tapetão” ao fim da eleição se acabar ficando de fora?
O principal dessa história ninguém conta. Esse processo é de 2005, da Secretaria de Saúde. Eu não era secretário de Saúde e nem o ordenador de despesa. A Rosinha era governadora, eu secretário de Governo. Ela me chama: “Quero que prepare um ofício ao secretário e deixe registrado que não quero que faça terceirização na FESP (Fundação Escola de Serviço Público)”. Esse documento que assinei, a promotora usa para dizer que eu estava suspendendo as contratações da FESP para contratar outras empresas de forma ilegal. É uma interpretação dela. São cento e tantos réus, só o meu caso foi julgado. Ela desmembrou, porque precisava me tirar da eleição. Aposto o que quiser que vou botar a campanha na rua agora e, em 10 dias, estarei inelegível de novo (como aconteceu, por decisão do TRE, da qual recorre). E vou cassar a inelegibilidade de novo.
E vai recorrer ao tapetão?
Não, ao tapetão, não. Vou recorrer à lei e vou ganhar.
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Feijão por cima ou por baixo do arroz?
Por baixo. Primeiro o feijão, depois o arroz.
Uma comida que odeia.
Nenhuma (risos). Adoro comer.
Um influencer que te diverte.
(João) Canabrava. Tom Cavalcante, adoro.
Um lugar para comprar barato no estado.
Saara.
Garotinho em uma frase.
Um idealista.
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A visita de Dudu: O escritório na Glória tem um estúdio de podcast, alugado para terceiros. Numa dessas, Eduardo Paes foi entrevistado por um dos inquilinos. Garotinho diz que, “por acaso”, não estava. “Mas Paes perguntou às meninas: o Garotinho tá aí?”, contou.



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