Depois de anos dominado por Windows e macOS, o mercado de notebooks ganha um novo concorrente na corrida pela inteligência artificial. Google e Qualcomm anunciaram nesta segunda-feira parceria para lançar os Googlebooks, uma nova categoria de computadores que combina o sistema baseado em Android e ChromeOS, a inteligência artificial Gemini com os novos processadores Snapdragon.
Dell e HP estão entre as primeiras fabricantes a lançar modelos de Googlebook, com vendas previstas para começar em outubro e preços a partir de US$ 1.500 nos Estados Unidos. Ainda não há uma data para o lançamento dos modelos no Brasil. A nova categoria chega com a promessa de renovar a experiência dos antigos Chromebooks, incorporando inteligência artificial ao sistema e ampliando a integração entre computadores e outros dispositivos do ecossistema Android, como smartphones e relógios inteligentes.
A estratégia é uma tentativa para estimular os negócios do setor. A IDC projeta queda de 11,3% nas vendas de PCs em 2026, em meio principalmente à escassez de memória e ao aumento dos custos dos componentes. Apesar da expectativa de aumento nos preços neste ano para a categoria, o movimento das fabricantes é uma tentativa de agregar mais recursos e valor aos produtos, dizem especialistas do setor.
De olho nisso, a Dell aposta no XPS Googlebook, um notebook de 13 polegadas com até 16 horas de duração da bateria. O equipamento tem tela sensível ao toque e taxa de atualização variável, que se ajusta dinamicamente entre 30 hertz (Hz) e 120 Hz. A tecnologia ajuda a preservar a bateria quando o aparelho está ocioso e proporciona movimentos mais fluidos quando necessário.
Integração com smartphone
A HP, por sua vez, lança um Googlebook de 14 polegadas, também com tela sensível ao toque e até 19 horas de autonomia. Segundo a empresa, os usuários poderão transferir tarefas do smartphone para o notebook, acessar arquivos armazenados no telefone diretamente pelo navegador de arquivos do computador e abrir aplicativos compatíveis do celular sem a necessidade de instalações adicionais. Para as companhias, a proposta é reduzir a distância entre os diferentes aparelhos e permitir que uma tarefa iniciada no celular possa continuar no computador.
— É um notebook desenvolvido para acompanhar o usuário e tornar a transição entre smartphone e PC mais simples e natural — afirmou Samuel Chang, vice-presidente sênior e presidente da divisão de Sistemas Pessoais para Consumidores da HP.
Segundo o Google, o Gemini vai atuar ainda de forma mais proativa no computador, levando em conta o contexto do usuário para apresentar sugestões, como informações sobre compromissos no calendário e recuperação de dados de e-mails. Equipados com os novos processadores Snapdragon, os modelos também são capazes de executar diferentes modelos de IA sem depender necessariamente de uma conexão com data centers.
Executar esses modelos localmente pode trazer vantagens como maior privacidade dos dados, funcionamento de determinados recursos sem conexão com a internet e respostas mais rápidas, já que as informações não precisam ser enviadas constantemente para servidores externos. O processamento no próprio computador também pode contribuir para uma maior eficiência energética, dependendo da tarefa executada.
A estratégia acompanha movimentos semelhantes de Microsoft e Apple, que também vêm incorporando recursos de inteligência artificial diretamente aos seus sistemas operacionais e dispositivos.
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