Chegamos à semana final de entrevistas com os postulantes ao governo do Rio. Cyro Garcia (PSTU) me recebeu em Vila Isabel, no Boteco Petisco (endereço que já abrigou o Petisco da Vila), para matar a saudade do bairro de Noel, onde já morou. Cyro propõe a tarifa zero nos transportes, alvos de calotes “legítimos”, segundo ele.
‘Organizado, tudo dá’: William Siri, do PSOL, propõe servir almoço em estações do Rio e defende camelôs no trem e metrô
Ema Jurema: Coronel Busnello, do Missão, palpitará na Segurança do Rio como governador, mas sem acumular função: ‘Sozinho, nem corno’
O Petisco fica no lado direito da 28 de Setembro. Só assim para você ser de Direita?
Isso é relativo. Quando faço campanha aqui, desço na praça (Barão de Drumond) e vou andando em direção à estátua do Noel: aí o Petisco está à esquerda, onde me posiciono. Mas a sociedade não está entre Direita e Esquerda, mas em classes sociais.
Sei que seu amuleto da sorte é uma nota de 1 dólar. Combina com candidato do PSTU?
A carteira pode estar vazia, mas tem sempre um dólar aqui. Peguei num nhoque da fortuna. É claro que combina! Somos internacionalistas. Assim como não há fronteira para a classe trabalhadora, o dinheiro é internacional. Pena que só tenho um dólar.
Ema Jurema: André Marinho, do Novo, lembra de afastamento dos Bolsonaro e anuncia ‘secretário do Vai dar Merda’ no Rio
Fala em acabar com as concessões. Quanto ficaria a passagem num governo seu?
Tarifa zero. Transporte público é um bem essencial. Não é mercadoria para enriquecer meia dúzia de empresários. Temos que reestatizar todas as empresas que foram privatizadas nos governos anteriores, como trem e metrô, recriar a CTC e mudar o modal de rodoviário para ferroviário.
Teria novas estações?
Com certeza. Uma cidade do tamanho do Rio ter só duas linhas de metrô não existe. Tem que chegar a São Gonçalo, ir no sentido da Zona Oeste, ter interligação com os trens, e transformar o BRT em VLT.
‘O tráfico cede à pressão ou entra em guerra’: Luan Monteiro, do PCO, defende armar a população e fim da PM
É a favor do calote enquanto a tarifa é cara?
O calote é uma manifestação política, não vejo como transgressora. Ou não está em condições de pagar, ou é por consciência, numa movimentação que as pessoas se reúnem. Pode ser ilegal, mas não é ilegítimo.
O Rio aderiu ao Propag. Como ex-bancário, acha que isso vai tirar o estado da lama?
Não, porque a gente vai continuar com uma dívida absurda com a União. Temos que mudar essa situação. Para começar, temos que taxar super-ricos. Expropriar os grandes tubarões de ensino para ampliar a oferta do ensino público gratuito, acabar com as isenções fiscais que são absurdas aqui.
Juliete, da UP, defende mutirões de moradia no Rio: ‘Não será como os três porquinhos, terá profissionais capacitados’
Qual argumento usaria para expropriá-los?
É a utilidade pública. Saúde e Educação não são mercadorias. E é constitucional: são dever do Estado. Seria expropriação sem indenização, já lucraram demais.
Sua vice Perciliana daria um bom nome de remédio. Que mal vocês podem matar?
O problema da educação. Perciliana é técnica da Uerj, aposentada. Podemos acabar com os males da Uerj, garantir verbas públicas, autonomia financeira, concursos…
‘Aulas’ a ‘bandeiretes’, tchau para o vento, truques onde é desconhecido: campanha de rua inspira graçolas na web
Como governador, precisaria ir a jantares com o Lula ou Flávio Bolsonaro. Teria selfies e risos ou mais polêmicas e climão?
Gostaria de ir ao encontro com o meu presidente Hertz Dias (PSTU). Mas seja lá qual for o presidente, vai estar governando para grandes empresários e implementando o projeto neoliberal. Sou fundador do PT, já tive relações com o Lula. Mas não significaria que seria (encontro) de sorrisos. É mais confronto, mas civilizadamente.
Hoje a garotada fala muito do tal six-seven.
O que é six-seven?
É uma trend, do 20+20+20+7. Tem um gestual com a mão. Como faz 72 anos em outubro, já é hora de aumentar a conta?
Primeiro que desconheço esse negócio de six-seven. Agora sei que estou indo para o seven-two. E cheio de disposição! (Risos)
Jogo dos dedinhos: gestos para pedir votos no Rio têm cuidados para se diferenciar do adversário, de Lula e até de facção
Feijão por cima ou por baixo do arroz?
Do lado (risos).
Uma comida que odeia.
Sou bom de boca, não odeio nenhuma.
Um influencer que te diverte.
Essa galera é tão fora do meu universo que nenhum deles me diverte. Me dão raiva, como o Pablo Marçal. Agora, positivamente, acompanho o Gustavo Machado, do canal “Orientação Marxista”.
Um lugar para comprar barato no estado.
Eu não vou, mas minha companheira vai: esses brechós que tem ali em São Cristóvão, têm coisas maravilhosas por ali. É um lugar onde se compra barato, bem barato.
Cyro Garcia em uma frase.
Um cara de bem com a vida e com muita disposição de lutar pelas transformações que a sociedade necessita. Ou seja: fazer uma revolução socialista.
Calcinha de urna? Nomes de Flávio Bolsonaro, Lula, Augusto Cury e outros candidatos vão parar em lingeries
FOFOCA DO MISTER EMO
Mister Emo de olho no cara-crachá de Cyro Garcia, reconhecido durante entrevista com a Ema Jurema em Vila Isabel
Gabriel de Paiva
Cara-crachá: Uma vizinha de mesa assistia à entrevista de longe, até se ligar: “É o Cyro Garcia?” Concorrer em todo pleito desde 1982 (exceto 88 e 92) dá nisso. Faltou o brinde!
Source link
Cyro Garcia, do PSTU, propõe tarifa zero e vê calote como manifestação política: 'Pode ser ilegal, mas não é ilegítimo'




