Com dez jogadores do futebol brasileiro, nove que disputaram a última Copa do Mundo e oito novidades, Carlo Ancelotti divulgou a lista de convocados da seleção brasileira para os amistosos contra Austrália e Índia, nos dias 25 e 29 de setembro, e 6 de outubro. O planejamento é dar início em uma reformulação no plantel canarinho com a utilização de nomes mais experientes que funcionem como uma base para os jovens que chegam. A média de idade, agora de 24,4 anos, caiu em 5 anos em relação aos atletas que disputaram o Mundial dos EUA.
Em entrevista após o anúncio dos convocados, Ancelotti defendeu suas escolhas.
— Acho que esta é uma lista equilibrada. Temos jogadores que estiveram na Copa do Mundo, que eu acho que vão ser importantes para a próxima geração, e temos jovens que têm idade, têm qualidade para apresentar o futuro da seleção nos próximos anos. Temos também jogadores que agora estão atuando muito bem no Campeonato Brasileiro. Temos jogadores que têm idade olímpica, porque temos que compartilhar o trabalho que estamos fazendo agora com o treinador da sub-20 e sub-17. Nesse momento, precisamos priorizar os jovens com qualidade para a próxima Copa do Mundo, ou, como primeiro objetivo a próxima Copa América — disse Ancelotti.
Os dez convocados que atuam no futebol brasileiro fazem do Brasil o país com mais convocados. A Inglaterra, com oito, vem logo em seguida. Ancelotti explicou que não procurou favorecer nomes que disputam o torneio local, mas que a quantidade tem como justificativa o fato dos atletas que jogam em solo brasileiro estão em melhor forma física, já que a temporada está mais avançada em relação aos campeonatos europeus.
Dentro disso, chama atenção o fato de que os três goleiros convocados pelo técnico italiano (Hugo Souza, do Corinthians; Pedro Mourisco, do Coritiba; e Otávio, do Cruzeiro) atuam em clubes brasileiros.
— Vale para os goleiros o mesmo que para outros jogadores. Cláudio Taffarel está avaliando todos os jovens do momento. Há, não só no Campeonato Brasileiro, mas na Europa também. Escolhemos esses porque estão muito bem, mas não significa que os outros estão excluídos. Nós conhecemos o Alisson muito bem e, se seguir sendo o melhor quando chegar próximo da Copa América, vai jogar. Mas agora temos que priorizar os mais novos — disse Ancelotti.
O técnico italiano também explicou como pretende lidar com o fato de alguns nomes mais jovens terem pouco espaço em seus respectivos times.
— Acho que a CBF tem que cuidar da progressão de jogadores que podem ser importantes para o futuro da seleção. Não podemos esperar que um clube vai colocar um jogador para jogar. Temos que acompanha-lo, convocando e dando oportunidade de melhorar e jogar. É o que vamos fazer — falou.
Veja outras respostas de Carlo Ancelotti:
Escolha por Mauro Júnior
É um lateral-esquerdo com característica bastante diferente do que os outros. Gosta de jogar por dentro e é muito ofensivo, com muita qualidade. Temos o Kaiki, que está muito bem no Como-ITA. Todos os laterais da lista larga têm perfil para estar conosco na próxima convocação. Quero ver o Mauro Júnior de perto, porque me parece ter um perfil muito interessante.
Possíveis encaminhamentos táticos
Com mais calma e tranquilidade, vamos avaliar bem a todos. Há uma ideia muito clara de mudar e colocar uma nova geração de jogadores, e acho que podemos fazer um trabalho mais devagar, tomando a decisão mais correta para o futuro. Falando de qualidade, acho que estamos bem cobertos. Não teremos problemas com defensores e nem atacantes, então precisamos escolher bem os meio-campistas nesse momento, porque temos um pouco de carência no meio. É isso que vai determinar o modelo de jogo para o futuro da seleção. Isso depende muito das características dos jogadores disponíveis no momento. A Espanha, por exemplo, pode propor determinado modelo de jogo porque tem muitos meio-campistas. O modelo depende das características dos jogadores. Quando você tem muitos bons defensores e muitos bons atacantes, fazer o jogo de controle de posição é muito mais complicado.
Pretende jogar com dois ou três meias?
Começamos a jogar com três meias na Copa do Mundo porque acho que as ligações dos jogadores afetaram muito a estrutura da equipe. Quase todos os meias dessa convocação são jogadores com mais ou menos as mesmas características: Breno Bidon, Bruno Guimarães, Danilo e Gabriel Bontempo têm a característica de serem meio-campistas box to box. Menos o Andrey Santos e o Douglas Luiz, que são mais posicionais. Isso não quer dizer que vamos jogar com dois ou três. A qualidade deles nos permite jogar das duas formas.
Presença de nomes mais experientes
Eles são jogadores muito importantes para o futuro. Temos a certeza que, pelo compromisso, seriedade, qualidade e profissionalismo deles, vão ajudar o grupo dos jovens a melhorar e a se prepararem para as próximas competições. Isso não significa que outros não vão estar. Nesse momento, priorizamos os jovens com qualidade para esses amistosos, para termos a informação mais completa de todos ao panorama mundial. Pode ser que, quando chegue a competição, os jogadores que não estão agora, estejam.



