O amor não exige perfeição. Mas aceita um capricho

No começo do namoro, a gente escolhe a roupa, capricha no banho e passa perfume até para encontrar a pessoa na padaria. Depois de alguns anos, aparece com uma camiseta que já sobreviveu a três governos e pergunta porque a relação perdeu o encanto.
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Não vamos culpar a camiseta. Ela já está por um fio.
A intimidade é uma conquista maravilhosa. Poder ficar sem maquiagem, soltar a barriga e acordar com o cabelo em posição de “sentido” é sinal de liberdade. Ninguém precisa levantar parecendo que vai receber um prêmio internacional.
Mas há uma diferença entre estar confortável e esquecer que existe.
Cuidamos do carro, do cachorro, da samambaia e da memória do celular. Para nós, sobra aquela promessa: “Quando der, eu me cuido.” Não dá. Aparece um boleto, acaba o feijão, alguém pergunta onde está a tesoura.
A pessoa vai ficando para depois. Quando percebe, o último carinho que fez no próprio corpo foi esfregar Vick no braço para diminuir a dor da bursite.
Autocuidado é voltar a prestar atenção em si. Não exige juventude, corpo perfeito nem um banheiro com iluminação de camarim. Exige reconhecer que você também merece algum capricho, mesmo quando ninguém está olhando.
E isso vale para homens e mulheres. Meu senhor, pode usar hidratante: ele não vai cancelar seu CPF nem alterar sua escalação no futebol.
Na relação, esses cuidados podem ajudar a sair do automático. Não porque o amor dependa de aparência impecável, mas porque sentir-se bem pode favorecer a disposição para conversar, brincar e se aproximar.
Naturalmente, nenhum perfume resolve falta de respeito. E, quando alguém está exausto de cuidar de tudo, talvez a melhor preliminar seja ouvir: “Deixa que hoje eu resolvo o jantar.” Há frases que dão de dez a zero em pétalas espalhadas pela cama. Até porque alguém vai precisar varrer aquilo depois.
Para começar sem transformar o autocuidado em mais uma tarefa cansativa, aqui vão sete dicas:
1. Tome um banho sem levar a reunião junto. Experimente alguns minutos sem planejar compras, responder perguntas ou calcular despesas. O sabonete não precisa participar do orçamento doméstico. Aproveite a água, o cheiro e a pausa.
2. Tire o “especial” do fundo da gaveta. Use aquela roupa gostosa, o perfume querido, o creme que está esperando uma ocasião. Um dia de semana também merece consideração. Não deixe seus produtos conhecerem o vencimento antes de conhecerem você.
3. Cuide da aparência para o seu próprio prazer. Arrume o cabelo, cuide da barba, hidrate a pele, se isso lhe fizer bem. Na página de beleza da Trecos e Tarecos, na Amazon, reuni sugestões para esses momentos. O link é de afiliada: posso receber comissão pelas compras qualificadas. Olhe com calma; seu banheiro não precisa virar um centro de distribuição.
4. Inclua o descanso entre os cuidados. Nem tudo se resolve com um sérum. Às vezes, você precisa dormir, sentar ou ficar dez minutos sem ser chamado. Até eletrodoméstico tem botão de desligar. Negocie pausas e respeite seus limites.
5. Divida o peso da rotina. Converse sobre responsabilidades. Autocuidado fica difícil quando um descansa e o outro administra a civilização. Quem mora junto pode participar sem esperar instruções detalhadas, mapa e reconhecimento de firma.
6. Recupere alguma coisa que você gosta. Música, caminhada, leitura, dança na cozinha. Ter interesses próprios também alimenta as conversas. É bom chegar ao fim do dia com algo para contar além do preço do tomate.
7. Ofereça carinho sem transformar tudo em cobrança. Um elogio sincero, um abraço, um convite para ficarem juntos. Nem todo toque precisa anunciar uma programação completa. A proximidade também cresce nesses pequenos encontros.
O amor pode andar de chinelos. Só não precisa deixar você esquecido dentro deles.
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