Desinformação eleitoral | Portal da Alego


O voto é uma das formas mais importantes de exercer a democracia, e estar bem informado sobre o processo eleitoral é indispensável para a prática deste direito. Proteger a verdade no ambiente digital tem se mostrado um desafio, assim, o tema ocupa um papel de destaque nas eleições de 2026. 

A desinformação eleitoral vai além de notícias deliberadamente falsas, as chamadas fake news. Ela envolve a disseminação massiva de conteúdos infundados, manipulados ou descontextualizados que podem distorcer a percepção das pessoas e abalar a legitimidade do pleito. 

Presente em redes sociais, aplicativos, lives e sites, a prática usa múltiplas estratégias para induzir ao erro. É um risco real à credibilidade das instituições públicas que prejudica a integridade das eleições e, como consequência, a própria estabilidade da democracia.

Segundo a Justiça Eleitoral, a urna eletrônica é o principal alvo da desinformação. Entre as mentiras que circulam estão, por exemplo, que ela seria vulnerável a ataques externos via internet ou que apenas o Brasil a utilizaria. 

Ao afirmar o compromisso da Assembleia Legislativa de Goiás com a defesa da circulação de notícias corretas, o diretor de Comunicação Social do Parlamento goiano, Célio Campos Junior, defende que é fundamental enfrentar a desinformação eleitoral. “O voto é a única forma de mudança da realidade, porque, com ele, escolhemos os nossos representantes. Qualquer mentira que coloque essa tomada de decisão em risco precisa ser combatido”, completa. 

Na perspectiva do desembargador eleitoral titular do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), Laudo Natel, a desinformação é o grande desafio das eleições de 2026. Ele destaca as diferenças entre uma mentira simples e a desinformação: os meios e a escala de difusão. “As notícias falsas são muito mais sérias, porque têm um potencial lesivo incalculável”, analisa.  

Não há uma sanção única e automática para toda desinformação eleitoral. A consequência depende de fatores como autoria, meio e alcance da divulgação.

Fique atento!

Cada cidadão tem papel neste esforço conjunto pela verdade. Nem tudo o que está na internet é verdadeiro apenas porque, por exemplo, parece profissional; possui muitas curtidas; foi encaminhado por conhecidos; ou utiliza imagens ou vídeos realistas. Veja dicas para prestar atenção: 

Zelar pela circulação de informações verdadeiras também é dever dos eleitores  

Capaz de criar e manipular imagens, vídeos e áudios semelhantes aos reais, a inteligência artificial exige cuidado redobrado dos eleitores

Movimentos artificiais; voz robotizada; sincronização incorreta da fala; iluminação inconsistente; distorções em mãos, olhos ou dentes são alguns dos sinais de alerta para mídias geradas artificialmente. Saiba mais sobre o assunto na cartilha temática lançada pela Ouvidoria Nacional Ministério Público neste ano.

Enfrentamento

 Desde setembro de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem realizando esforços contínuos por meio de seu Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação. Atualmente, a iniciativa conta com a participação de mais de 70 instituições entre entidades públicas e privadas e partidos políticos, além de parceria com agências especializadas em checagem informacional. 

Neste ano, uma das novidades é o aprimoramento da página Fato ou Boato, voltada a desmentir notícias falsas ou enganosas relacionadas às eleições. Na plataforma, é possível pesquisar checagens e utilizar filtros por categorias, instituições e períodos. A página também divulga conteúdos informativos para alertar os cidadãos. 

Outro exemplo é a websérie “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”, que busca ampliar a compreensão sobre o ambiente informacional na internet e incentivar o comportamento responsável do eleitor. 

O TRE-GO e a Universidade Federal de Goiás (UFG) se uniram para desenvolver um software de inteligência artificial que potencializa o combate à desinformação, o GuaIA. A ferramenta monitora palavras-chave específicas e assuntos mais comentados na internet, os trending topics, de forma contínua para detectar conteúdos suspeitos que possam comprometer a integridade das eleições e a confiança dos cidadãos no processo democrático.

O GuaIA analisa cada material e atribui uma pontuação de zero a 100%. Quanto maior for a nota, mais provável é que se trate de informações falsas. A partir desta identificação, servidores do órgão eleitoral assumem o caso. Lançada em 2024, a inteligência artificial é de uso interno, e apenas administrativo, do TRE-GO.  

Eleitor responsável

Identificou conteúdos potencialmente falsos, enganosos ou fora de contexto que afetem a integridade das eleições? Não deixe de comunicar ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) do TSE. O canal é anônimo. Entretanto, vale observar que ele não trata de casos dirigidos a candidatos, partidos políticos, coligações e federações, a não ser que possam comprometer a credibilidade do processo eleitoral. 

O Brasil tem eleições íntegras, seguras e auditáveis. Eleitores e eleitoras, antes de publicar ou compartilhar, sempre verifiquem a autenticidade. A responsabilidade digital fortalece a democracia. 



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