‘Queria forçar eles a jogar pelo interior’


Pedro Emanuel, técnico do Vasco, saiu com o triunfo de 1 a 0 dentro de casa sobre o Vitória com um gosto de protagonista. Isso porque a equipe teve um jogador expulso nos primeiros minutos do jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, mas conseguiu segurar o rival e vencer em lance proporcionado pela leitura de jogo do treinador. Ele analisou suas escolhas após a expulsão e como isso afetou o jogo.

— Não foi só eu, foi minha equipe técnica analisando dentro dos cenários. A partir daí, nós tomamos decisões. Eu tomei essa decisão porque o Vitória, quando passamos a jogar com menos um, veio adiantando suas linhas. Eles tentavam muitos cruzamentos. Eu queria mais pressão na bola antes dos cruzamentos e forçar eles a jogar pelo interior. Isso nos permitiu preencher o espaço. Piton também fez um grande jogo e agradeço a torcida por ter apoiado o Piton, precisava de um jogo completo. Ajudamos a tirar o cruzamento, ou um cruzamento não limpo. O Vitória colocou mais um homem na área, são fortes na primeira bola. Isso nos permitiu sair em contra-ataques. Poderíamos ter feito 2 a 0. Não está fechada a eliminatória. Vitória é muito forte, Flamengo que o diga. Athletico-PR também — disse na coletiva.

Ele ressaltou que “isso revela o espírito que temos na equipe, que é saudável e nos permite sair na frente dessa eliminatória. Nos últimos jogos temos feito gols e precisávamos fazer isso de novo. Os jogadores foram guerreiros até o último minuto”.

Para além da intervenção tática da equipe, Pedro Emanuel também exaltou a entrada de um nome respeitado pelo elenco no vestiário e que teria realizado um discurso motivacional que inflamou a equipe. No entanto, ele não quis revelar o nome do ex-atleta.

— Acho que hoje tenho que compartilhar com vocês que tivemos uma intervenção de uma pessoa muito importante no nosso clube, e acho que foi uma das melhores intervenções que eu vi alguém fazer. Isso foi meio caminho andado para entrarmos ligados em um momento muito importante da temporada para nós, principalmente nesta Copa, que tivemos na final na temporada passada e não vencemos. Acho que foi uma grande motivação para a equipe, além das estratégias táticas que já havíamos preparado — completou.

Ainda assim, criticou a atuação da equipe de arbitragem nos dois lances mais polêmicos do jogo. Primeiro, na expulsão de Cauan Barros, que tocou com a mão na bola para impedir a progessão de Kayzer, mas antes a bola já havia batido na mão do atacante, e poderia ter tido o lance paralisado. Na outra jogada, Spinelli dividiu com Cácá e o zagueiro do Vitória tocou com o braço na bola, mas o árbitro não marcou pênalti pela falta inicial do argentino ao empurrar o adversário.

— Eu estava gostando bastante do Barros. Estava ajudando a ter fluidez ofensiva. Teve a infelicidade de acontecer o que aconteceu. Estou também um pouco confuso com a arbitragem, para entender quais são os critérios para validar ou invalidar alguns lances. Continuo confuso. Se a bola bate no corpo e bate no braço, a equipe se beneficia de um lance que vai causar uma expulsão de um jogador de outro time. Essas tomadas de decisão prejudicam e a decisão foi muito prejudicial ao Vasco — disse.

Ele não quis entrar em mais argumentações sobre a arbitragem após a fala do diretor de futebol Admar Lopes.

O treinador voltou a mencionar que pretende usar força máxima nos próximos jogos. Agora a equipe enfrenta o Cruzerio neste sábado, pelo Brasilerio, em que está na 19ª posição.

— Vamos tentar ir o mais longe possível nas duas Copas e no Brasileirão tentar sair dessa zona que ninguém gosta de estar. Só tendo uma equipe com essa capacidade de trabalho e humildade para fazer com que a torcida nos apoiasse. Isso deixou a mim até arrepiado. Não tinha vivido um jogo inteiro com a torcida, desde o aquecimento, entusiasmada. Senti que seria uma noite mágica para nós. Isso nos contagia. No final, ganhamos uma vantagem para a volta. É curta, poderia ser maior, mas é fruto do esforço desses rapazes.



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