de Cebolinha a De la Cruz, Flamengo encontra dificuldade para vender jogadores sem espaço


A falta de novas contratações do Flamengo na janela de transferências deste meio de ano foi alvo de críticas da torcida. A letargia da diretoria não foi apenas nas chegadas, mas também nas saídas. O rubro-negro não tem conseguido vender jogadores pouco aproveitados — casos de Everton Cebolinha e De la Cruz —, o que dificulta o enxugamento da folha salarial e o aumento de receitas para ir às compras.

A situação contrasta com os anos recentes de boas vendas, principalmente de jogadores da base. Nomes como Wesley, João Gomes e Matheus França renderam cerca de 20 milhões de euros em cada negociação. Além deles, jogadores valorizados como Gerson e Fabrício Bruno acabaram sendo boas vendas. Hoje em dia, porém, se bate recordes de compras, o clube se vê às voltas com atletas desvalorizados no mercado e “presos”, em razão de altos salários, que afastam interessados.

O orçamento do primeiro semestre mostra que o rubro-negro tem apenas 15 milhões de euros (cerca de R$ 90 milhões) para tentar compras neste ano. Mesmo assim, sinalizou com movimentos acima dos 25 milhões de euros na busca por nomes como Thiago Almada e Luiz Henrique. Eventuais vendas ajudariam a dar um alívio na folha salarial e reforçar o caixa, assim como renovar os ares do grupo.

O caso mais evidente neste momento é o de Everton Cebolinha. O atacante declarou publicamente mais de uma vez seu desejo de deixar o clube ao fim do ano, quando se encerra seu contrato. Ele já pode assinar pré-contrato com outros clubes para 2027. Os empresários, porém, desejam uma saída imediata, o que envolveria uma compensação financeira para o Flamengo.

Mesmo assim, não houve movimento concreto para negociar o jogador de 30 anos. Alguns clubes russos abriram conversas com o estafe de Cebolinha — o principal deles, o Krasnodar —, mas o negócio travou. Enquanto isso, o atacante segue encostado e não é relacionado há quase um mês.

Saúl no treino do Flamengo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Há nomes com histórico de insatisfação, como Luiz Araújo e Saúl. O atacante chegou a atrair o interesse do Cruzeiro, mas permaneceu no Flamengo e tenta retomar espaço. Já o meia, contratado no ano passado sob o comando de Filipe Luís, não tem tido oportunidades com o técnico Leonardo Jardim — o último jogo foi antes da Copa do Mundo, em 30 de maio, contra o Coritiba.

Saúl recebe um dos maiores salários do elenco e tem contrato até 2028, mas está no fim da fila do meio-campo. A situação é similar à de Nico de la Cruz, um dos jogadores apontados como pior custo-benefício da história recente do Flamengo. Desde que foi contratado por cerca de R$ 80 milhões à vista junto ao River Plate, no fim de 2023, o uruguaio acumula os mais variados tipos de problemas físicos. O último deles foi uma lesão muscular na coxa esquerda.

Nesta janela, o Peñarol demonstrou interesse em contratar o volante, mas por empréstimo. A negociação, porém, não avançou, e De la Cruz segue em um limbo.

De la Cruz e José Boto, do Flamengo — Foto: Adriano Fontes/Flamengo
De la Cruz e José Boto, do Flamengo — Foto: Adriano Fontes/Flamengo

No ano passado, o Flamengo acabou assumindo o “prejuízo” para se desfazer de Allan e Michael: o volante foi emprestado para o Corinthians depois de custar R$ 44 milhões, e o atacante, que havia sido repatriado em um acordo longo, foi liberado de graça.

A dupla Carrascal e Plata é considerada negociável pelo histórico de problemas extracampo, mas vendê-los não é uma prioridade da diretoria, que deseja boas propostas e reposição imediata.

O equatoriano, por exemplo, está na mira do Dínamo de Moscou. A proposta dos russos está na casa dos 10 milhões de euros (R$ 60 milhões), segundo o blog do Diogo Dantas, no GLOBO, que também aponta o desejo do Flamengo de direcionar o valor para uma nova cartada por Luiz Henrique, do Zenit-RUS.

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