O ex-governador Romeu Zema (Novo) defendeu sua gestão em Minas Gerais e afirmou que o aumento da dívida do estado com a União cresceu em função da cobrança de juros típica de “agiotas” do governo federal. Durante a sabatina da TV Globo, o presidenciável voltou a criticar as condenações dos envolvidos no 8 de janeiro, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e subiu o tom contra a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso.
— Quero explicar. A dívida de Minas foi toda feita no passado. Não fiz um empréstimo. Essa dívida foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria, paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando eu assumi. Alguém deve R$ 10 mil; se ele ganha R$ 3 mil por mês, essa dívida pode ser considerada elevada. Se alguém ganha R$ 40 mil, pode ser que ele tenha capacidade de pagar — disse.
Zema também defendeu as privatizações de estatais feitas por ele no estado, como a da Copasa, de saneamento básico, e disse que fará o mesmo nas empresas brasileiras, que, de acordo com ele, estão “subaproveitadas”. O ex-mandatário mineiro também afirmou que, caso eleito, dará reposição dos salários compatível com a inflação anual, e se descreveu como “governador voluntário” ao argumentar que “doou todo o salário” durante seu tempo à frente do estado.
Questionado sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Zema disse que discorda das condenações, argumentou que os crimes não foram consumados, e afirmou que defende o indulto a Jair Bolsonaro.
— Eu discordo porque não existe na História uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo e depredação como aquele que aconteceu em janeiro de 2023. Eu darei anistia, ou pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político. Que seja judicial. O que vimos no Brasil foi perseguição. (…) O crime de sujar o monumento foi adiante. Deterioração, tudo bem. Deve-se punir pelo vandalismo — disse.
Inspiração em Bukele
Defensor do sistema de “superencarceramento” implementado pelo presidente Nayib Bukele, de El Salvador, Zema também classificou o sistema de Justiça brasileiro como “lerdo e um dos mais caros do mundo”.
— No dia em que tivermos uma Justiça que julgue rápido, vamos ter condições de colocar bandido atrás das grades. Fui a El Salvador em maio do ano passado para conhecer o avanço extraordinário que aquele país teve na redução de homicídios. O Brasil há décadas é o recordista mundial de homicídios. É como se aqui no Brasil todos os dias um avião de grande porte caísse, e isso está normalizado. Eu vou mudar isso — afirmou.
Regime de trabalho e escolas integrais
Como bandeira de campanha, Zema também disse que quer “simplificar as leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora”, assunto que tem sido abordado por ele desde a semana passada como estratégia para alcançar o segmento de trabalhadores por aplicativo. Questionado sobre uma nova reforma da Previdência, prevista por ele em seu plano de governo, o ex-governador negou que mexerá na idade mínima para a aposentadoria e afirmou que a mudança dependerá do estado das contas públicas.
— Vamos mexer à medida que a expectativa de vida aumentar, e a depender da arrecadação com a maior formalização. Tudo isso vai depender do sucesso dos ajustes que vamos fazer. O bom exemplo vai vir de cima: eu venho do setor privado e vi como o Estado carece de boa gestão e pode melhorar a eficiência. Dá para fazer um ajuste muito grande. O brasileiro já trabalha muito, não quero que trabalhe mais. Quero a renda do brasileiro aumentando — respondeu.
Durante a entrevista, Zema também se colocou como “empreendedor assim como a maior parte dos brasileiros”, em referencia a sua atuação em sua empresa familiar de varejo e eletrodomédicos. O governador também afirmou que, caso eleito, ampliará em “dez vezes” o modelo de escolas integrais pelo país. Ao responder sobre vacinação, o ex-mandatário afirmou que “tomou todas as vacinas contra a covid-19”, mas disse que é contra a “perseguição de famílias” que recusam a medida.
Operação Rejeito e corrupção
Ao responder sobre a Operação Rejeito, que investigou um esquema bilionário de fraudes em licenças ambientais e exploração ilegal de minério de ferro no estado, negou conhecimento sobre os desvios enquanto comandava o estado e disse que defendeu a punição dos responsáveis.
— Fica aqui o meu repúdio a esses bandidos que, além de estarem recebendo dinheiro, estavam destruindo o meio ambiente. A Controladoria-Geral do Estado, subordinada a mim, já estava investigando. Quero que tudo seja apurado e esses bandidos mofem na prisão. Num estado com 300 mil funcionários, sempre está sujeito a surgir algumas frutas podres. E lembrando que tomei todas as medidas. Não quero que nada seja encoberto, ninguém seja protegido, como às vezes acontece em Brasília — disse.
Em suas considerações finais, Zema fez menção aos candidatos ao Senado do Novo Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Ricardo Salles (Novo-SP), considerados competitivos em seus estados e vistos como prioridade para o partido.
Source link
Zema na TV Globo: candidato minimiza situação fiscal de Minas, ataca o governo federal e critica STF por condenações do 8/1



