Barbárie em Copacabana: polícia procura quinto suspeito de espancamento que matou ciclista

A Polícia Civil investiga a participação de uma quinta pessoa na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos. Portador de um problema cognitivo, ele foi espancado por um segurança e dois entregadores de aplicativo no último dia 11, ao ser confundido com um ladrão de bicicletas em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Principal autor da agressão, e um dos encarregados de fazer vigilância clandestina de uma rua do bairro, Davi Santos Machado chegou a filmar o espancamento com um celular enquanto agredia a vítima com golpes de um cassetete.
As cenas foram divulgadas em um grupo de conversas de aplicativo usado por entregadores. Já um segundo segurança é suspeito de participar indiretamente do crime ao retirar a bicicleta usada pelo ciclista do local onde ela começou a ser agredida, na Rua Barata Ribeiro. Dos quatro citados, todos já estão presos temporariamente por ordem da Justiça. Dois deles se entregaram, nesta sexta-feira, aos investigadores da 12ªDP (Copacabana), unidade responsável por apurar o caso.
Já o quinto suspeito é um homem de casaco cinza com listras que aparece quando a vítima já estava sendo espancada, num segundo momento, pelo segurança Davi Santos Machado e pelos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Essas agressões ocorreram na Rua Felipe Oliveira e foram flagradas por uma câmera de segurança.
57 golpes em seis minutos
A gravação mostra o homem se aproximando do grupo. Em seguida, ele aparece chutando a cabeça do ciclista. Pouco depois, o suspeito vai embora. As imagens mostram que durante seis dos nove minutos de duração do vídeo o ciclista é agredido com 57 pauladas, chutes e socos. Nesta sexta-feira, Felipe se entregou em uma rua da Tijuca, na Zona Norte, aos policiais da 12ªDP. Ele foi levado para a Delegacia Policial de Copacabana.
— A gente deu prioridade a chegar nas pessoas que de fato mataram a vítima. Há outras circunstâncias. Foi um crime bárbaro. Nada vai passar sem ser apurado. Já analisamos e notamos que há um rapaz que vem e chuta a cabeça da vítima. Ele também vai ser alvo da investigação. A gente também quer qualificar essa pessoa. Todas as circunstâncias serão apuradas— disse o delegado Ângelo Lages, da 12ªDP.
Além de Felipe, estão presos os seguranças, Jorge Luiz Ricardo Dias, que não participou do espancamento, mas retirou a bicicleta usada pelo ciclista do local, que pertence a uma irmã da vítima, e Davi Santos Machado. Este último é o homem que aparece em um vídeo desferindo diversos golpes de cassetete em Cláudio Rafael. Já o entregador Ailton José da Silva, que teve a prisão temporária decretada pelo plantão judiciário, se entregou na noite desta sexta-feira.
Jorge prestou depoimento logo após se apresentar na 12ªDP, nesta quinta-feira, ele contou que faz parte de uma equipe de seguranças contratados por comerciantes de uma rua de Copacabana. Segundo o segurança, ele ainda advertiu o colega sobre a ação que vitimou o ciclista, mas Davi teria continuado rindo do que havia acontecido.
A sequência da barbárie
Como as imagens mostram, Machado abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, também na Zona Sul, para passear: ele usava a bicicleta da irmã.Já em Copacabana, o segurança suspeitou que a vítima tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Rua Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.
Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado pelos dois homens de bicicleta e com mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.
Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.
A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros, tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.
— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Aplicativo lamenta
Em nota, o iFood lamentou a morte de Cláudio Rafael Landeiro e disse que a empresa está colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso.”O iFood reforça que qualquer forma de violência é inaceitável e tem tolerância zero com esse tipo de conduta. A empresa adota uma Política de Combate à Discriminação e à Violência, com regras claras para promover um ambiente ético, seguro e livre de violações de direitos para todos os envolvidos: clientes, entregadores e estabelecimentos parceiros. O descumprimento dessas diretrizes pode resultar em medidas que vão desde advertências à desativação permanente da conta”, diz a nota.
Segundo a polícia, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael, que já foram identificados, vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
O laudo de necrópsia do ciclista mostra lesões múltiplas sofridas pela vítima durante o espancamento. Segundo o documento, Cláudio Rafael teve traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo.
‘Sentimento de revolta’, define irmã
O ciclista deixou duas irmãs. Uma delas, Fabiane Landeiro, de 25, esteve na 12ªDP, nesta quinta-feira, para acompanhar o trabalho da polícia. Ela desabafou e disse estar revoltada com o que aconteceu com o irmão.
— O sentimento é de revolta, injustiça e indignação. O que fizeram com o Cláudio foi tortura. Ele foi agredido ainda caído no chão — disse.
Bryan Rojtemberg, advogado da família, que acompanha o caso na 12ªDP, também esteve na delegacia, nesta quinta-feira. Na ocasião, ele disse que conhecia a vítima desde criança.
— Ele era um menino calmo que ajudava a todos. Foi meu vizinho por muitos anos. O que fizeram com o Cláudio foi uma barbárie.



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

aos 22 anos, Lolle Pinheiro segue os passos da família

Lolle era morena até pouco mais...
- Advertisement -spot_img