Brigitte, de 'Quem Ama Cuida': quando a carência ultrapassa todos os limites

Brigitte não ama apenas demais. Ela ultrapassa limites, ignora rejeições e transforma a necessidade de ser escolhida em uma força capaz de destruir a própria dignidade, e se ninguém interromper, a tranquilidade de todos ao redor.
Para mais dicas e informações sobre sexo e relações, acesse o canal da Regina no YouTube
É fácil assistir a uma personagem assim e classificá-la como louca, exatamente como fazemos com pessoas que agem assim, na vida real.
A palavra resolve rapidamente o desconforto, mas não explica nada.
Porque fora da ficção, existem pessoas que confundem amor com posse, insistência com prova de sentimento e abandono com uma ameaça insuportável. Para elas, um “não” pode parecer apenas um “sim” que ainda não foi suficientemente pressionado e é exatamente aí que começa o perigo.
A carência, por si só, não é doença. Todos precisamos de afeto, reconhecimento e pertencimento. O problema começa quando a pessoa entrega ao outro toda a responsabilidade por sua felicidade e deixa de enxergar onde termina o amor e começa a invasão.
Brigitte parece viver em função da necessidade de ser desejada. Ela não consegue aceitar que o sentimento do outro pode mudar ou simplesmente não existir. Cada rejeição alimenta sua obsessão, porque desistir significaria encarar um vazio que ela tenta preencher por meio do relacionamento.
Só que ninguém consegue preencher um vazio emocional usando outra pessoa como se fosse massa corrida.
É nesse ponto que “quem ama cuida” pode adquirir um sentido perigoso. Cuidar não é vigiar, controlar, perseguir, manipular ou impedir que o outro vá embora. Amor não vem acompanhado de tornozeleira eletrônica, senha do celular e gps.
O amor também não concede licença para desrespeitar limites.
Que problemas psicológicos poderiam existir na vida real?
Sem diagnosticar uma personagem, comportamentos semelhantes poderiam estar associados à baixa autoestima, à dependência emocional, ao apego ansioso, à impulsividade e ao medo intenso de rejeição ou abandono.
Em determinados casos, profissionais também poderiam investigar transtornos como o de personalidade dependente ou o transtorno de personalidade borderline. Mas nenhum diagnóstico pode ser feito apenas observando um comportamento isolado e muito menos à distância, entre um capítulo e outro da novela.
Pessoas emocionalmente dependentes podem tolerar humilhações, abandonar projetos próprios e permanecer em relações destrutivas. Outras reagem ao afastamento com ameaças, perseguição ou tentativas de controle.
Isso pode ajudar a explicar determinados comportamentos, mas não os justifica. Sofrimento psicológico não retira a responsabilidade pelas consequências das próprias ações. Uma ferida emocional merece tratamento, não autorização para ferir os outros.
Brigitte serve como alerta: quando o amor exige que o outro perca o direito de escolher, já não estamos falando de cuidado.
Estamos falando de controle vestido de paixão, e roupa bonita não muda o que existe por baixo.
Sugestões finais
Procure psicoterapia quando o medo de abandono dominar sua vida.
Respeite limites e recusas, mesmo quando isso provocar sofrimento. “Não” não é o início de uma negociação e nem um sim disfarçado.
Preserve amizades, interesses e projetos próprios.
Aceite que o fim de um relacionamento não significa o fim da sua existência, o “sem você meu amor eu não sou ninguém” só é bonito nos versos do Poetinha.
Não use traumas ou transtornos para retirar a responsabilidade por atitudes abusivas.
Lembre-se: sem consentimento e liberdade, não existe amor saudável.
Vídeo Sugerido:



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

Apagões provocados por queimadas caem 49% no Rio, aponta Aneel

"As distribuidoras estão cada vez mais...

Correios abrem novo PDV mirando sete mil funcionários

Os Correios abriram nesta quinta-feira as...
- Advertisement -spot_img