Sem Grand Slam e fora do top 10, João Fonseca faz 20 anos longe dos ‘ETs’, mas no caminho certo para escrever sua história


Enquanto muitos jovens de 20 anos ainda estão decidindo o que fazer da vida, João Fonseca completa essa idade hoje com o preço de ter despontado tão rapidamente no tênis mundial. Com os holofotes voltados para ele desde então, viu a pressão aumentar dentro e fora de quadra, principalmente pelo peso de ser apontado como principal esperança da modalidade no país desde Gustavo Kuerten.

É verdade que o jovem tenista, atual número 26 do mundo, até tenta fugir, com razão, das comparações, mas, agora, com duas décadas de vida, já surgem questionamentos do tipo: afinal, superou, cumpriu ou está aquém das expectativas? Por mais que cada atleta tenha seu processo de amadurecimento, os principais astros do esporte guardam semelhanças, especialmente nos primeiros passos e feitos da carreira. Não é diferente no tênis.

A era do Big 3, formada por Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic, é um exemplo claro disso. O espanhol foi o mais jovem entre eles a conquistar o primeiro Grand Slam, aos 19 anos, em Roland Garros, enquanto o sérvio veio logo atrás, aos 20, no Australian Open. Já o suíço atingiu o feito com 21 anos, em Wimbledon. Os três também já faziam parte do top 5.

Os dois atuais expoentes, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, também ganharam seus primeiros Majors nessa faixa etária. O espanhol venceu o US Open aos 19 anos e se tornou o número 1 do mundo mais jovem da história. Já o italiano ganhou o Australian Open aos 22. Assim como o Big 3, ambos já ocupavam as primeiras posições do ranking.

João Fonseca comemora ponto contra Casper Ruud, nas oitavas de final de Roland Garros — Foto: Dimitar DILKOFF / AFP

Não foi o caso de Guga, que foi uma verdadeira zebra ao iniciar sua trilogia no saibro francês aos 20 anos, quando era apenas o número 66 da ATP. Nada impede que João faça o mesmo no próximo US Open, mas dá para dizer que, ao menos por enquanto, seu início de carreira não está na mesma prateleira dos “extraterrestres”, o que não chega a ser um demérito.

João se enquadra na maioria dos talentos da nova geração, que ainda não furaram a bolha do top 10. Tirando o domínio de Sinner e Alcaraz, as exceções são o americano Ben Shelton, de 23 anos, que já foi nº 5 do mundo, mas ainda não tem um Grand Slam, e o espanhol Rafael Jódar, que, aos 19 anos, dá sinais de que o topo do ranking é questão de tempo — é o 11º.

Com dois títulos de ATP (500 de Basel-SUI e 250 de Buenos Aires-ARG), o brasileiro teve seu melhor resultado em Majors com as quartas de final de Roland Garros deste ano. A duas posições de seu melhor ranking (24º), já demonstrou que tem nível técnico para bater de frente com os melhores do mundo — já venceu Djokovic no saibro francês e Andrey Rublev, no Australian Open de 2025. A questão física ainda não foi totalmente superada, mas já deixou de ser uma barreira para alçar voos maiores.

Além das expectativas de um país que carece de ídolos no tênis, o entorno de João busca blindá-lo de empolgações e críticas. O que há, de fato, é que o brasileiro segue, em seu tempo, no caminho para realizar o sonho de conquistar Grand Slams e, quem sabe, ser nº 1 do mundo.



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