O presidente do Vasco, Pedrinho, defendeu nesta quarta-feira a política de contratações do Vasco em meio à recuperação judicial e criticou seu homólogo no Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, que na véspera acionara a agência de fair play financeiro para denunciar um suposto prejuízo à “isonomia e credibilidade” dos campeonatos. Durante o embarque da delegação cruz-maltina para Assunção, onde o time enfrentará o Olimpia pelas oitavas de final da Sul-Americana, o dirigente chamou Bap de “hipócrita” e “mau-caráter”.
— Vou falar da pessoa Bap, zero instituição (Flamengo). Ele, especificamente, é mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita. Bap usa da frase de que está agindo pelo bem do campeonato brasileiro, por isonomia, mas, quando diz respeito ao clube dele, é o primeiro a sair, sentar na cadeira e falar que vai lutar pelos direitos do Flamengo — disse Pedrinho ao Podcast Cruzmaltino, citando como exemplo as negociações por divisão de cotas da Libra.
Além de classificar o dirigente rubro-negro como hipócrita, Pedrinho acusou Bap de promover uma perseguição institucional ao Vasco e disse que ele não deveria opinar nem interferir em temas ligados à venda da SAF cruz-maltina e ao processo de recuperação judicial do clube.
— Há outros clubes em recuperação judicial contratando, e ele não abre a boca. É uma perseguição à nossa instituição, está muito claro. Eu não devo satisfação nenhuma a ele. Nenhuma satisfação! Ele que seja responsável e vá cuidar Flamengo — bradou. — Com o Vasco, ele não vai se criar. Isso aqui não é Flamengo mesmo não, isso aqui é Vasco! Ele tem que respeitar muito o Vasco, e ele não está respeitando o Vasco. Ele está se metendo onde não tem que se meter.
Pedrinho argumentou que a adoção à recuperação judicial não impede que um clube contrate jogadores, desde que continue a honrar os compromissos com os credores:
— Eu não posso fazer uma contratação porque eu estou em recuperação judicial? O que eu não poderia era contratar e deixar de pagar.
O CEO da SAF, Fred Luz, também comentou sobre o empréstimo de R$ 150 milhões solicitado pelo clube à Justiça. O dirigente reforçou que o pedido é fundamental não apenas para reforçar o elenco nesta janela de transferências, que termina em setembro, mas também para garantir o cumprimento de compromissos financeiros nos próximos meses.
— Pelas nossas projeções, a partir do próximo dia 20, sem esses recursos, vamos enfrentar uma situação extremamente delicada de caixa. Isso pode resultar no não pagamento de compromissos com atletas, agentes, clubes, tributos e dívidas sujeitas à recuperação judicial, o que pode acarretar em multas, desenquadramento no sistema de sustentabilidade financeira da CBF, na não consolidação da nova transação tributária, e transfer ban — disse ao site ge. — Portanto, não estamos falando apenas de contratações. Estamos falando da capacidade de cumprir compromissos que já estavam assumidos e previstos.
O Vasco comandado pelo técnico Pedro Emanuel ocupa a 19ª colocação no Brasileirão, com 22 pontos conquistados, dois a menos que o Internacional, primeiro clube fora da zona de rebaixamento para a Série B. Pela Sul-Americana, depois de empatar em 0 a 0 na ida, o cruz-maltino precisa vencer o Olimpia no Paraguai. Um novo empate levará a disputa pela vaga para os pênaltis.
*jornalista participante do curso Jornalismo do Futuro, sob supervisão de João Pedro Fonseca




